quinta-feira, 30 de outubro de 2003

Tirem essa estatueta daqui!

Acho que é a força do marquetingue ou a tradição da marca. Talvez seja a irresistível sedução do glamour, ou ainda a vontade de ver os vestidos e um tapete vermelho. Afinal, a premiação é política, a cerimônia é meio chata e o evento é, no geral, americano demais. Mas ninguém resiste ao Oscar!

Ainda assim, nem sempre é uma coisa bacana e saudável para sua carreira ganhar a tal da estatuazinha doirada. Pelo menos não se você é um ator secundário. Eu é que não queria ouvir meu nome na hora do anúncio "And the Oscar goes to…" na categoria atriz coadjuvante. Digo isso porque acredito piamente na… maldição do Oscar de coadjuvante! (Não riam).

Podem reparar: os vencedores dos últimos anos são promissores talentos que caem no limbo – ou numa série de papéis-micos depois de passar a mão no tiozinho reluzente. Também podem ser velhinhos que, depois de 523 indicações e uma longa e consistente carreira, ganham a noite numa espécie de prêmio de consolação – como Martin Landau por "Ed Wood", em 1995, Judi Dench por "Shakespeare Apaixonado" (Shakespeare in Love) em 1999 ou Michael Caine com "Regras da Vida" (The Cider House Rules), em 2000.

Duvida? Pois eu mato a cobra e mostro o pau (no bom sentido, claro, que eu sou menina!).

Cuba Gooding Jr.
Premiado em 1997 pela irrepreensível atuação em "Jerry Maguire", o pobre foi parar numa seqüência de bobagens como "O Cruzeiro das Loucas", "Instinto" e "Pearl Harbor". Pffff.

Marisa Tomei
Depois de levar o prêmio em 1993 por "Meu Primo Vinny" (My Cousin Vinny), a moça amargou umas subproduções das quais a melhorzinha foi "Só Você" (Only You). Se redimiu com "Entre Quatro Paredes" (In The Bedroom), mas quase é amaldiçoada de novo: foi indicada à mesma categoria pelo drama. Ainda bem que não ganhou.

Angelina Jolie
A bonitona faturou o Oscar em 2000, por "Garota, Interrompida" (Girl, Interrupted), por sua interpretação da irresistível sociopata Lisa. Mas depois vieram "60 Segundos" (Gone in Sixty Seconds), "Pecado Original" (Original Sin) e – os nerds de plantão que me desculpem – o discutível "Lara Croft: Tomb Raider". Compensou.

Mira Sorvino
Melhor atriz coadjuvante de 1996 pela hilária moça de vida fácil de "Poderosa Afrodite" (Mighty Aphrodite), Mira encarou os esquecíveis "Loucos por Dinheiro" (Free Money) e "À Primeira Vista" (At First Sight). Isso sem falar em "Assassinos Substitutos" (Replacement Killers) – que pode até ser divertidinho, e só.

Whoopi Goldberg
Depois de embolsar o prêmio por "Ghost", em 1991, no engraçado papel de Oda Mae em seu inesquecível traje discreto rosa choque, a pobre Úpi trabalhou tanto que tinha mesmo de dar umas bolas fora. Algumas delas foram "Bogus – Meu Amigo Secreto" (Bogus) e "O Jogo da Verdade" (Moonlight & Valentino), um constrangedor filme com Jon Bon Jovi. Vai ver a moça gosta mesmo é de trabalhar, não importa no quê. Ou seu agente em Hollywood é o próprio Bogus. Vai saber…

oscar.gif
Chuta que é macumba!

É nóis no papel!

Anos de trabalho duro e não reconhecido, noites sem dormir, vida social suspensa, relações com a família cortadas... Mas finalmente colhemos os louros da glória: estamos no jornal! Ó só: o Jornal da Tarde deu atenção para a gente, depois de todo o sacrifício descrito acima.

Ok, não passamos uma noite sequer sem pregar o olho por causa do Garotas, nossa família nos ama e estamos cada vez mais cheias de bons amigos. Na verdade, esse filhote rosa só nos dá alegria... assim como vocês, leitores. Obrigada.

Clara McFly às 05:08 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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