quinta-feira, 30 de outubro de 2003

Pra cada ganido, uma lágrima

Podem ser fofinhos, bonzinhos, engraçadinhos ou ter uma pelagem sedosa e bonita. Não importa: eu passo longe de filmes ou seriados com animais. E se vierem acompanhados de crianças ou longas jornadas, então... credo, eu prefiro assistir uma tarde inteira de Note e Anote.

Desde criança tenho um bode colossal de historinhas de elefantes espertos, focas mimosas e texugos danados. É chato, é previsível e além de tudo isso me deixa extremamente deprimida. Por mais que eles se esforcem para agradar, sempre vou imaginar a bicharada levando umas chicotadas para colaborar com a produção. Que raiva.

E nem adianta o bicho ser divertido ou sabichão, como aqueles orangotangos que cospem banana em gente. Cruzo os braços e fico emburrada sempre que a turma aparece na tela. Esses aí abaixo, então, me deixam com cara de quem chupou limão. Não por culpa deles, de jeito nenhum.

Lassie, o alvo
Por que o diabo da cachorra tinha que levar bala em todo episódio? A Lassie já tomou mais tiro de revólver que placa de sinalização em estrada deserta. E sempre tinha uma pobre menininha pra chorar sobre o “cadáver”. Depois a cadela era guiada de volta à vida pelos lamentos da criança e todos ficavam felizes. Menos eu, claro, que me acabava de tristeza.

Flipper, o fingido
Tudo bem, o golfinho era inteligente e salvava o dia em todos os capítulos da série. Duro era aturar aquele moleque bobão perguntando de dez em dez minutos se o Flipper queria ser amigo dele. Se o saltitante animal pudesse falar, certamente diria duas coisas: “cansei de me fazer de bonzinho, me arrumem um tubarão pra lutar” e “vá te catar, pivete melancólico”.

Willy, a orca sábia
Não bastava a pobre da Keiko ter sido explorada durante anos em um maldito aquário onde sofria um sem número de maus tratos. Não... ela ainda teve que virar estrela de cinema para reeducar um delinqüente juvenil. Por que não mandaram aquele garoto passar uns tempos com uns dragões de Komodo ou umas caranguejeiras, pra ver se ele endireitava ou não?

Benji, o trapo
Nenhum animalzinho da tv era mais sujo e molambento que o sofrido Benji. O cão levou vassourada, foi atropelado e viu até uma namoradinha canina ser chutada no tórax. Se o Benji fosse ator de carne e osso, teria que fazer terapia eterna. E ainda tem gente querendo me convencer que filme assim é engraçado... Nossa, eu acho hilário chutar cachorro, precisa ver...

Corcel Negro, o fora de contexto
Esse é de dar depressão em nível clínico... O menino naufraga, dá numa ilha deserta e lá encontra um cavalo selvagem. Já dormiu? Pena que não, porque depois disso é só desgraça. O eqüino é embarcado com o moleque para casa e a louca amizade dos dois vira uma relação pra lá de estranha, já que o garoto é um porre e não sabe fazer amigos humanos. Pobre cavalo, entrou numa roubada.

O caso mais trágico
Eu devia ter vergonha de confessar, mas assistir “A Menina e o Porquinho” (que também podia chamar “Quando eu Chorei Porque Uma Aranha de Desenho Animado Morreu”) me faz chorar por horas. Tudo bem, nem é um filme com gente e bichos de verdade, mas fico chateadíssima com a iminência do porco Wilbur virar bacon. E mais ainda com a batida de botas de Charlotte, a aranha espertinha que escrevia usando sua teia. Animação? Desculpa, mas esse filme pura desanimação...

Porco.jpg
A turma parece animada aqui? Vai nessa...

Venha fama, venha pra mamãe...

Mas nem doze horas ininterruptas de “A Menina e o Porquinho” poderiam tirar meu bom humor nesta tarde. Essa garotas aqui viraram celebridades, sabia? Pelo menos é o que diz a matéria que saiu no simpático JT de hoje. Vai ler? Vai dizer se gostou? Vai recomendar aos amigos e dizer “eu já conhecia essas lesadas faz tempo”? Mãos a obra.

Fla Wonka às 02:28 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold