quarta-feira, 29 de outubro de 2003

Hã?

Caetano Veloso é uma pessoa que eu simplesmente não entendo. Não entendo! Não entendo, não entendo, não entendo. Eu também não entendo o Michael Jackson, mas nesse caso um monte de outras pessoas também não entende, então passa.

Acontece que, quando menina pequena lá em São Bernardo, eu ouvia Caetano Veloso e até cantarolava junto. Achava engraçadinho o leãozinho, achava bonita a “lua de São Jorge, lua maravilha, mãe, irmã e filha de todo esplendor”. Mas conforme os anos foram passando, o que era um moço sereno e poético virou uma tia velha enjoada e ranzinza. E eu não entendi mais nada.

Aliás, passei a desentender Caetano já quando ele casou com aquela moça estranha, a tal de Paula. Criatura mais esquisita... E olha que eu nem digo isso por causa da amizade coloridíssima que ela tinha com uma outra atriz chamada Paula. Mas qual pessoa de juízo produz um filme incrível como “Lisbela e o Prisioneiro” e, podendo escolher qualquer participação especial, decide interpretar... a monga???

Tudo só fica mais e mais ininteligível com o passar do tempo. Ele falou que comeria o Leonardo Di Caprio – que até é bem “comível” mesmo para alguns, mas não se fala isso por aí, ainda mais se você usa calças e é famoso – e me veio com aquele livro mais chato que pizza de massa fina, “Verdade Tropical”. Eu não entendo.

E não entendo também certas investidas musicais do cidadão. Quem sacou o que queria dizer aquela canção “Qualquer Coisa”? Eu não saquei, confesso. Olha:

“Não se avexe não, baião de dois, deixe de manha, deixe de manha
Pois sem essa aranha, sem essa aranha, sem essa aranha
Nem a sanha arranha o carro, nem o sarro arranha a Espanha”

Era só para brincar com os dígrafos, Caê? Só se for. Porque essa história de aranha e carro e sarro e que arranha a pobre da Espanha não fez sentido algum. Fui só eu quem não entendeu lhufas? Bom, porque também aconteceu naquela aborrecida “A Luz de Tieta”, feita para o filme da cabrita de Jorge Amado, versão remodelada. Ó:

“Carnaval e futebol
Quem não finge, quem não mente
Quem não goza e pena
É que serve de farol”

Na primeira vez que eu ouvi, fiquei com cara de interrogação. Da mesma forma que aconteceu quando Caetano disse – segura em algum lugar, pra não sentir vertigem – que “Osama Bin Laden é um homem bonito e se parece com algumas pessoas da minha família”.

Hã? Desculpa, mas eu não entendo.

Fla Wonka às 02:52 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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