quarta-feira, 29 de outubro de 2003

Lavou bem essa orelha, minina?

Num texto bem antigo já havia falado sobre meus prazeres do dia-a-dia - aquelas ações que podem parecer simples à primeira vista, mas que trazem uma grande satisfação por algum motivo pessoal e bobo. Bem, acontece que meu maior prazer entre as tarefas diárias é esse: tomar banho. Tem coisa melhor do que chegar em casa cansada, cheia de poluição na cara e poeira na roupa e entrar num chuveiro quentinho mandando tudo pelo ralo abaixo?

Tá, tem algumas coisas melhores que isso, mas banho é recomendado a todas as idades e pode ser feito sem restrição de horário. Sempre fui amiga da ducha e do sabonete, e sou daquelas que gostam de passar horas levando água estupidamente quente na cabeça para refrescar pensamentos. Não gostava do Bozo cantando "Chuveiro, não faça assim comigo", e sou muito mais o ratinho do "Rá-Tim-Bum" e aquela musiquinha impagável "Tchau sujeira, adeus cheirinho de suor", lembra?

E não precisa ser algo à lá propaganda da Lux Luxo, com uma banheira no meio da sala acarpetada (porque elas nunca se banham no cômodo certo?) e com quinhentas velas acesas em volta, como se fosse um morto que estivesse lá dentro. E o jeito de se lavar então? Bota uma perna para fora com tudo, sem se esquecer do pézinho fazendo ponta de balé. Tem outra: não dá para tomar banho maquiada (se bem que na propaganda o rosto nunca se molha).

Hoje as indústrias de cosméticos exploram o setor como ninguém. Eu sou fã da gôndola de xampu e derivados no supermercado. Agora, aqui em casa, estamos usando um sabonete líquido de aroma-terapia que diz ser anti-stress. Precisar, não precisa - até porque banho é sempre anti-stress, mesmo se eu me lavar com sabão de coco e ensaboar a cabeça com detergente. Mas que é legal, ah, isso é.

Porém, o ritual do banho nunca começa muito agradável para as pessoas. Quando bebê, é preciso que outros façam a sua higiene. Pior do que ser mergulhado sem você querer numa água morna-quase-fria, com maisena para assaduras e dentro de uma banheira de plástico amarelo-pintinho muito tosca, é ter a sua avó, anos depois, contando para seus amigos como ela lavava seu bumbum fedido.

Não melhora depois que crescemos um pouquinho, já que continuamos tendo assistência no chuveiro. Claro que isso é chamariz para cenas vergonhosas. Fico corada de lembrar de meu irmão e meus primos tendo que "mostrar a bolinha" para as mães limparem. Péssimo. Também tem aquela fase em que a gente toma banho com os pais. Na hora é ok, mas depois soa um pouco estranho. E a foto? Vai dizer que você não tem um momento desses registrado...

E de pensar que o banho mais famoso do cinema não terminou nada bem, tanto para a personagem quanto para a atriz. Dizem que a cena do esfaqueamento no chuveiro que matou a mocinha de "Psicose" traumatizou tanto Janet Leigh que ela ficou anos a fio fazendo terapia. Mas entre todas as cenas de higiene pessoal da sétima arte, fico com Julia Roberts na banheira redonda cantando "Kiss", do Prince, em "Uma Linda Mulher". Já é um clássico absoluto!

Da próxima vez que você for tomar banho, reserve o momento para... curtir o momento. Pense na vida, cante, tenha idéias, faça bolinha de sabão com as mãos, desenhe corações no box, encha a boca de água e depois cuspa como um cupido de fonte ornamental. E lave bem as orelhas, viu, leitor? Senão nasce um pé de couve, e aí já viu.

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Ô alegria!
Vivi Griswold às 10:15 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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