segunda-feira, 27 de outubro de 2003

Não fui eu quem disse

Você já se pegou repetindo frases roubadas que ouviu por aí? Ah, então você é do meu time, viu? Não que eu goste de repetir bordões infames criados por novelas de segunda classe, claro. Mas alguns pensamentos de cinema – ou frases bestas mesmo – me obrigam a encaixá-los na rotina da vida real.

Algumas formam filosofias interessantes. Por exemplo: eu não sei se os roteiristas de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” copiaram essa certa frase de algum lugar, mas achei ótima e repito a beça. Diz assim: “quando o dedo aponta o céu, o idiota olha para o dedo” (foi dita pelo menininho que mostra ao Nino, paixonite de Amélie, para onde o tapado deve voltar sua atenção). E eu uso para aquelas situações onde estou querendo provar um ponto de vista, mas os lesados ouvintes são incapazes de focar na idéia central.

Nem todas as minhas frases repetidas a granel, porém, precisam ser assim tão filosóficas. Quando eu vejo uma Kombi velha e azul, por exemplo, é impossível deixar de gritar “Libiaaaaaans!”, como faz o Marty McFly em “De Volta para o Futuro”. E só tem graça em inglês, não sei qual o motivo... Na verdade, acho que só eu mesma acho graça em pensar que um bando de terroristas líbios está no tal carro...

Outra que faz muito mais sentido na versão original é “talk to the hand”, muito bem empregada por aquele ator-robô-e-agora-safado-com-licença em “O Exterminador do Futuro 3”. Basta eu ficar sem paciência para ouvir besteira ou pedidos idiotas e uso essa máxima. Pena que ninguém se contenta em falar com a minha mão e me deixa em paz de fato.

Duas outras viraram lemas de vida para essa humilde escrevinhadora. “Quando eu ficar brava mesmo, você vai saber”, que eu aprendi em “A Malandrinha” e uso quando alguém ACHA que eu já fiquei nervosa o suficiente – mas não sabe que posso me tornar uma real máquina de matar.

A outra é “se você construir, eles virão”, criada para “O Campo dos Sonhos”, mas que eu emprego ao dar conselhos bobos para quem está na dúvida sobre cometer ou não certa ação. Dá certo, porque aqueles que nunca viram o filme pensam que eu inventei essa máxima na hora e sou quase uma poetisa.

Mas talvez a melhor de todas as minhas frases chupadas de filmes seja essa: “Viver com medo é como viver pela metade”. Isso porque, além dela ser mesmo muito sábia, ainda envolve uma boa história.

Certo dia, um amigo estava contando um problema que tinha e não estava resolvendo bem. Daí eu dei meus palpites e completei com essa frase magnífica. O diálogo que veio a seguir:

– Nossa, é verdade... De onde veio isso, Fernando Pessoa?
– Não... Do “Vem Dançar Comigo”...

Porque eu roubo frases de filmes bestas, mas pelo menos não escondo isso de ninguém.

Fla Wonka às 01:45 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold