quarta-feira, 22 de outubro de 2003

Doce de amendoim e sentimentos nobres

Amor, além de ser uma paçoca (deliciosa, por sinal), também denomina aquela sensação que eu não vou me atrever a descrever aqui. Vocês sabem qual, né? Então, aquela.

Amor é a coisa mais banalizada do mundo e, desde pequena, achava que a repetição constante da palavra fazia com que ela soasse cafona. E é isso mesmo o que acontece quando se bate muito na tecla do conceito: perde um pouco a graça, fica meio amorfo, meio chato.

Mas não é o que os distribuidores e produtores de cinema pensam. Numa rápida pesquisa mental, encontrei um punhado de filmes que usam e abusam da palavrinha que intitula o quitute de amendoim.

Selecionei os dez mais legais, por uma razão ou por outra. Ao menos, uma coisa é certa: os filmes abaixo dão perspectivas beeeem distintas do que é o amor…

Um truque sujo da natureza para garantir a continuação de sua espécie…

Amor à Queima Roupa (True Romance)
Para Clarence, o Christian Slater, e Alabama, a moça de tolerância, o conceito de amor estava intimimamente ligado a uma maleta de pó (e não daquele que se acumula em móveis), uma fuga desesperada e uma inesquecível seqüência envolvendo um spray e um isqueiro.

Amor à Flor da Pele (In the Mood for Love ou Fa yeung nin wa)
Sabe aqueles filmes pequenos, dos quais pouco se ouve falar, e que são verdadeiras pérolas perdidas? Pois esse é um deles. Numa Hong Kong fumacenta e calorenta dos anos 60, cheia de boleros do Nat King Cole, dois vizinhos cujos cônjuges estão sempre viajando a trabalho começam a se apaixonar. De babar.

Amor Além da Vida (What Dreams May Come)
Já eleito como uma das traduções de títulos mais bizarras, o filme é choroso a dar com pau – e eu acho ótimo. Para Robin Williams, amor é resgatar a mulher da sua vida do próprio inferno – ou do Vale dos Suicidas, se a história se passasse em "A Viagem" (lembram do Alexandre? Cruzes, que arrepio!).

Um Caso de Amor (The Sum of Us)
Russell Crowe, antes de virar gladiador em-si, era um jovem que, digamos, gostava de filmes de gladiador – se é que vocês me entendem. Mais um da série "ninguém-deu-bola-mas-é-o-máximo", o filme defende que amor é aceitar diferenças, como o pai de Russell aceita o filho gay e, posteriormente, o filho gay aceita cuidar do pai com derrame. Parece simples, e é – mas nem por isso deixa de ser legal demais.

9 1/2 Semanas de Amor (9 1/2 Weeks)
Nessa comédia involuntária, amar é passar um punhado de dias trancado num quarto, transando com o uso de diversos acessórios comestíveis, entre eles Karo ou algo que o valha. Na época do lançamento, foi o maior frisson. Minha mãe foi ver no cinema e me deixou na casa da Tati. Fiquei doida para assistir, imaginando que seria a coisa mais erótica (claro que eu não tinha esse vocabulário, mas sabia que era algo proibido e, portanto, excitante) do mundo. Anos depois, quando pude ver, que decepção…

Clara McFly às 05:14 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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