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Ah, quanto glamour... A profissão que eu escolhi envolve mais lendas e mistérios que a receita da coca-cola ou a morte da Marilyn Monroe. Dito isso, acho importante contar mais sobre nossa rotina, assim o resto da humanidade que optou por ser normal pode ter uma medida exata do que é viver como um legítimo jornalista. É uma glória imensa. Por exemplo: entrevistamos gente importante, interessante e famosa – às vezes, algumas que são isso tudo junto! Eles sempre dizem coisas bacanas e dignas de aspas e nunca, nunca são azedos, malcriados ou ignorantes. Sabem como é, eles entendem que estamos apenas fazendo nosso trabalho. Também viajamos horrores. E para os lugares mais legais do mundo. É uma mamata das boas conhecer o planeta sem pagar nada... Ah, e as empresas onde trabalhamos bancam para nós hotéis bons e liberam de tudo, das ligações para a família aos drinques gelados e coloridos no bar. Com direito a guarda-chuvinha de decoração, viu? Bom, ainda preciso dizer que podemos chegar tarde na redação – eu, por exemplo, entro às 10h00, mas invariavelmente só apareço lá pelas 11h00, e ninguém liga ou dá bronca. Afinal, todo chefe de jornalista sabe que trabalhamos até tarde todo dia, então nos dão o direito de sermos folgados pela manhã. Outra coisa boa de trabalhar nessa área é a tranqüilidade. Nossa, há tempo para tudo, incrível. Ninguém é afobado ou pede mil tarefas para ontem. Nunca me aconteceu, por exemplo, de receber ligações em casa para voltar à redação e terminar uma matéria porque algum gênio achou que essa era melhor que outra já finalizada. Jamais! Além de tudo, ainda ganha-se bem nesse setor. Nenhum jornalista que eu conheço, por exemplo, precisa pegar trabalhos extras para pagar a escola das crianças e produzi-lo madrugada adentro, feito uma coruja velha. Como bônus, ainda ganhamos presentes desinteressados de gente que nos bajula sem pedir nada em troca. Todos têm bom coração para conosco, não é lindo? O engraçado é que eu sempre soube disso tudo sobre o jornalismo. Aprendi no meu Manual do Escoteiro Mirim, bíblia infantil que ensinava desde a maneira certa de cozinhar numa fogueira até os segredos da quiromancia. Ah, e dizia o que cada profissional faz –capítulo onde sabíamos mais sobre ser ator, astronauta, médico, palhaço (sim, palhaço...) ou jornalista (sim, palhaço... ops, desculpa). Eu acreditei, e viu como me dei bem nessa profissão maravilhosa? Provavelmente agora vocês sabem melhor o que é ser como eu, Clara e Vivi. E deve acreditar também que usamos viseiras coloridas durante o expediente, um lápis atrás da orelha e trabalhamos num periódico chamado "Planeta Diário"...
Jornalista como no texto acima? Só o Tintin, que roda o mundo e não escreve uma linha... |
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