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Filo: cordata, classe: afônica Tem várias maneiras de se classificar as coisas do mundo. É inevitável: ou você é menino ou menina; ou é uma Elvis person ou uma Beatles person; ou é do filo cordata ou do molusca (nesse caso, as opções são maiores: pode-se ser do anelídeo, platelminto, protozoa e mais um punhado). Eu classifico as coisas em mais um critério: as que eu posso e não posso fazer. Desse último quesito, concentro-me especialmente nas que eu jamais poderia fazer, mas morro de vontade. Minha habilidade para essas atividades é proporcional à chance de realizá-las: próxima a zero. Tenho três não-talentos ocultos (a partir de agora, não mais tão ocultos assim): cantar ou tocar um instrumento, desenhar lindamente e ser ás num esporte, como por exemplo ginástica olímpica. Serviria ser trapezista também. Quando ouço miss Ella Fitz, a quem bastava respirar para emitir uma nota, ou dona Elis, que tinha a capacidade de fazer a gente ficar alegre ou querer cortar os pulsos, dependendo da música que interpretava, a admiração é tanta que, mesmo sem querer, sobe a invejinha nas veias. Tudo que essas mulheres tinham era uma voz – e faziam um punhado de gente ficar ali quietinha, ouvindo. Nem precisavam de instrumentos – objetos que, apesar disso, eu também gostaria de dominar. Entre meus favoritos, estão o baixo, o violino (é um mistério como um cristão consegue fazer aquilo ganir) e o piano, tipo de peça capaz de me hipnotizar. Aliás, eu tentei aprender a fazer aquelas teclas emitirem um som razoável, mas desisti depois de seis meses. Bom, essa história fica para outro dia… Quanto aos traços, bem, o melhor que faço são desenhos de palito no Paint Brush. Ficam até simpáticos, mas, por Deus!, pegar uma revista do Spawn ou as primeiras edições dos Fabulosos X-Men me faz corar. E como eu queria ser igual a esses moços: McFarlane, Silvestri, Ross… [suspiro]. Por fim, também tenho uma vontade enorme de ser mestra em algo que chacoalhe o esqueleto, mas não necessariamente dança. Dar piruetas e mortais para depois cair perfeitamente sobre os dois pés seria uma boa. Voar em cordinhas que se balançam, amarradas por um bastão, também. E, depois de assistir a "Matrix Reloaded", kung fu ganhou um cantinho especial na gaveta destinada a meus não-talentos ocultos. Mas tudo isso precisa de treino e disciplina, e eu sou do tipo de gente à la Neuzinha Brizola, que quando sente aquela vontade de fazer ginástica, senta no sofá e espera passar. Por isso, terei de me ater a continuar inventadeira e escrevinhar umas linhas aqui e ali. Acho que é o melhor que posso fazer – e olhe lá!
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