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I'm a believer Em um belo dia da minha infância, mamãe chegou dizendo ser um lobisomem. E eu acreditei. Primeiro, porque pensava que ela nunca mentiria para mim, ainda que o fato fosse um tanto quanto duvidoso. Segundo - e, principalmente - porque eu achava muito mais legal pensar que aquela médica doce e certinha se transformava em fera nas noites de lua cheia. Sempre usei o mesmo raciocínio para todos os outros mitos. De nada adiantavam provas de que o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa não passavam de lorota, pois sempre me enganei conscientemente apenas porque a versão fantasiosa acaba sendo sempre a melhor. Eu preferia mil vezes acreditar que um velhinho barbudo que mora no pólo norte trazia meu presente num trenó do que aceitar que meu pai foi comprar o brinquedo no Mappin. Ou que um coelho veio carregando meu ovo de chocolate nas costas do que saber que minha mãe se acotovelou em algum supermercado para conseguir o quitute em cima da hora. A verdade não tem nada de glamour. Apesar de ter crescido, continuo sendo uma crente nos mistérios da humanidade. Acredito em disco voador, em extraterrestres, no mostro do Lago Ness, em fantasmas e em qualquer outra coisa paranormal. A vida é muito mais interessante quando existe uma certa pitada de estranheza. Desculpe, mas eu acho uma falta de tato enorme aqueles cientistas aparecerem na TV para desmascarar, por exemplo, o caso Roswell. Eles falam que o tal OVNI não passava de um balão metereológico, que os alienígenas eram bonecos de experimentação e que o cara que viu (ou diz que viu) era fã de água que passarinho não bebe e adorava um cigarrinho do capeta. Pois deixe o povo acreditar, pô! Que mal há nisso? Tem cientista que é chato de galocha. Como os panacas que dizem ter provado que a Nessie não existe. Para quê, eu pergunto? Ninguém vai ganhar o Nobel por conseguir evidências que mostram que tudo não passa de balela. Então, que tal guardar a tremenda conclusão para eles próprios? Não, eles têm que estragar a piada. Um bando de gente sem senso de humor, é isso que são. Aposto que a Nessie e seus filhotinhos monstros estão rindo deles agora, nas águas profundas e turvas da Escócia. Bem, pelo menos eu quero ter o direito de me divertir acreditando que sim.
Vai me dizer que isso é uma mão? |
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