quinta-feira, 16 de outubro de 2003

Muito, muito estranho

Não é segredo para ninguém aqui, eu adoro ler. Acho uma das atividades mais divertidas para sair da realidade – e sair da realidade é comigo mesma. Só que eu não curto substâncias fortes. Bom, mas o negócio é o seguinte: para quem quer se lançar com classe nessa gostosura que é devorar um livro, eu tenho uma dica. Uma obra muito, muito estranha e que chacoalhou minha cabeça durante dias tempos atrás. Culpa do Oscar Wilde.

Poeta, romancista, roteirista, teatrólogo, crítico e um sujeito bem ácido, esse moço nasceu na Irlanda em 1854. E aqui preciso fazer um adendo muito, muito estranho: acabo de dar uma busca na net para saber o dia em que ele nasceu. Acredita que foi hoje? Hoje, 16 de outubro! Coincidência muito, muito estranha. Será que tudo sobre esse cara é assim, muito, muito estranho?

Oscar Wilde era um gênio, mas sobre ele acho que posso falar outro dia. Personalidade diferente para a época, ele escreveu livros magníficos, mas um deles é especial. A minha dica, já ia esquecendo: chama-se “O Retrato de Dorian Gray”.

Quem foi ao cinema recentemente assistir um negócio chamado “A Liga Extraordinária” deve estar lembrado desse nome. O arrogante e soberbo Dorian aparece como um dos personagens acionados para salvar o mundo nem-me-lembro-do-quê. O filme não é horrível, mas cometeu um pecado enorme. Eu tento explicar.

No livro, Dorian é um jovem cheio de vícios, defeitos, comportamento torto e uma personalidade nojenta. Mas o que todos no seu círculo de amigos estranham é o fato do Senhor Gray, vaidoso até não poder mais, nunca envelhecer. Não dá para contar muito mais que isso, mas Dorian tem um segredão guardado no sótão. Literalmente. Seu retrato, pintado numa tela... bom, digamos que ele absorve traços da vida do rapaz...

O pecado do filme foi ter mostrado o retrato do cara! Oscar Wilde usou todo aquele poder de narrativa que lhe era peculiar para descrever a misteriosa situação e o filme.... droga, o filme mata o divertido trabalho de imaginar o que acontece com Dorian Gray e sua figura pintada! Cadeia nesses roteiristas!

Mesmo assim, não se deixa levar e apanha o volume – no bom sentido, sempre. “O Retrato de Dorian Gray” vai te parecer um livro excepcional também, eu tenho certeza. Além de muito, muito estranho.

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Uns diziam que ele era fanfarrão. Eu digo que era gênio
Fla Wonka às 02:19 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
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· Vivi Griswold