quinta-feira, 16 de outubro de 2003

Tanto faz, é tudo igual!

Jornalista que é jornalista preza por um texto bem escrito. Entre todos os fatores que isso envolve, também é preciso saber usar sinônimos. Acontece que fica muito feio repetir o mesmo termo dez vezes em uma matéria. O truque, então, é usar palavras diferentes que dizem a mesma coisa, e ir fazendo rodízio em cada parágrafo. Por isso que os livrinhos de passatempos da Coquetel são companheiros de ouro da profissão!

Um exemplo: se eu estiver escrevendo uma nota sobre casamento, não posso dizer "o casamento foi às tantas horas" e "a noiva estava bonita no casamento" e "quem compareceu ao casamento ficou emocionado" e etc. Fica parecendo redação de férias da terceira série. A saída é simples - basta usar sinônimos! "Casamento" tem vários, como "casório", "cerimônia", "troca de alianças", "festa de matrimônio", etc.

É uma dificuldade também redigir um texto sobre um determinado filme. Se não prestarmos atenção, a palavra "filme" sai quinhentas vezes. Daí, precisamos substituí-la por "longa-metragem", "longa", "produção", "película", "trabalho do diretor x" e coisas semelhantes. Do mesmo modo, "disco" vira "CD", "trabalho", "álbum"... É um exercício que consome muitos neurônios!

Pena que existem alguns termos que não podem ser usados, para não ferir a credibilidade do profissional. Mas eu adoraria escrever uma matéria financeira e enfiar todos os sinônimos existentes para "dinheiro". Já pensou? "Sua bufunfa teve um acréscimo de 2,7% pela caderneta de poupança" ou "Os especialistas aconselham o trabalhador a investir o seu cascalho" ou "A multinacional Zezinho & Co teve um prejuízo equivalente a um milhão de verdinhas". Que seria legal, ah, isso seria.

E um artigo de jornalismo científico sobre sexo, então? Aposto que os leitores gostariam de ler coisas como "subir a pipa", "descabelar o palhaço", "virar os olhinhos", "rala e rola", "cobrir o croquete" e todos aqueles termos super chiques e agradáveis que o povo usa para descrever o tal ato.

Hmm. Acho que está na hora de colocar um fim nesse texto porque, relendo tudo o que eu escrevi, já usei as palavras "texto", "matéria" e "artigo" algumas vezes ao longo dos parágrafos - então agora você me dá licença que eu vou ali dar uma olhada na Coquetel para enriquecer minha cota de sinônimos...

Vivi Griswold às 10:30 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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