O advento dos fantásticos programas peer-to-peer e dos gravadores de CD possibilitou o surgimento de uma nova maneira de conhecer as pessoas: as coletâneas musicais boladas por elas.
Depois desses maviosos instrumentos tecnológicos, os portadores dos brinquedinhos acima citados ficaram livres para arregimentar suas canções favoritas de maneira avulsa e juntá-las todas num só CD. É como as velhas mix tapes, mas em versão digital – e com menu muito mais amplo de músicas.
Fazer coletâneas, como já dizia Rob (ou John Cusack) em "Alta Fidelidade", é uma arte. E nem sempre as pessoas são muito boas nisso. Mas como os CDs são para uso próprio, bem, pelo menos ao criador elas agradam. E, aos outros, dão uma brecha do quão insano (ou não) alguém pode ser.
As minhas, por exemplo, são uma seqüência sem pé nem cabeça de autores tão díspares quanto Led Zeppelin, o elenco de Seinfeld, Butthole Surfers e Paula Abdul.
Duvida? Então, vamos à exposição sem pudores de um dos CDs que habitam o velho (mas pago) Deep Purple atualmente. Prometo não mentir se vocês prometerem ser bonzinhos. Eu confesso que tenho, num mesmo disco, intitulado "Música ao Cair da Tarde"...
Natalie Merchant, But Not For Me
A voz impecável de Natalie num standard da canção americana para lá de fofo. "Estão escrevendo canções de amor, mas não para mim". Ai, ai.
Ani Di Franco, Wishing and Hoping
Eu não vou dizer o nome do filme mais uma vez, mas essa embala a abertura da produção sobre o matrimônio de um certo melhor amigo. A letra é impagável.
Beatles, Here Comes the Sun
O que dizer dessa pérola? Perfeita para embalar as longas viagens de carro de casa até o trabalho. O duro é quando você se lembra, sem querer, da versão do Lulu...
Butthole Surfers, Pepper
Uma confusão sem tamanho de gente numa espécie de "Short Cuts" musical, com guitarras distorcidas ao fundo.
Elvis Presley, Pocketful of Rainbows
A versão que peguei na rede conta com uma abertura hilária, onde o Rei começa a rir nos primeiros versos – o que não é problema nenhum, já que a música é demais.
Frankie Valli, Walk Like a Man
Essa tem todas as características típicas de anos 60: corinho, andamento pop e um refrão para cantar junto.
Kleiton & Kledir, Maria Fumaça
Ah, eu já havia dito que essa é uma das músicas mais engraçadas que já ouvi. Portanto, não vale atirar latinhas!
Louis Armstrong, Sweet Georgia Brown
É fechar os olhos e achar que está na Nova Orleans dos anos 30. Uma delícia de música, perfeita para levantar e sair vivendo.
Led Zeppelin, Misty Mountain Hop
Uma levada perfeita para contar o encontro de um garoto com um bando de hippies. Bom, pelo menos foi o que entendi...
Madonna, Who’s That Girl
Ok, é meio estranho ter Madonna, especialmente da fase velha, logo depois de Led Zepellin. Mas, se você não tem preconceito, funciona que é uma beleza!
Natalie Merchant, All I Want
Aí está a adorável mocinha de novo, desta vez com um cover da Joni Mitchell. Mais girlie impossível.
Nat King Cole, I Love You For Sentimental Reasons
Trilha do excelente "Melhor É Impossível", a canção de tio Nat explica porque alguém ama outra pessoa, cantando bem baixinho e devagar.
Natalie Merchant, Not in This Life
Tá, já deu para perceber que eu sou fã da dona Natalie, né? E acho essa uma das canções mais legais da ex-vocal do 10.000 Maniacs.
Natalie Merchant, One Fine Day
Essa, gravada em 1996, é composição de Carole King e tem uma letra irresistivelmente "I'm a loser, but that's ok".
Otis Redding, Try a Little Tenderness
E não é que um dia quase chorei ouvindo essa? A interpretação soul de Otis e sua história triste inspiram muito. Passar duas horas sozinha num carro também.
Patrícia Marx, Festa do Amor
É, eu gosto de Otis e de Patrícia. Não necessariamente nessa ordem. Mas dela, só dessa musiquinha divertidíssima com os reveses de um namorico dos anos 50.
Paula Abdul, Rush Rush
Eu assumo: essa é a porção trash do CD. Mas não resisto a cantar chorosamente, junto de dona Paula, os versos iniciais: "Hmmmmm, na na na na na na".
Seinfeld Cast, Seintology
Um remix com as frases mais bacanas e marcantes do seriado. Tem "are you still master of your domain?", "serenity now" e "maybe the dingo ate your baby". Choro de rir sozinha toda vez que ouço.
Simon & Garfunkel, I Am a Rock
Ah, eu confesso: gosto de Saimonengarfunquel! Não de tudo, mas de algumas. Como essa, cuja letra é constrangedora. Melhor pular para a próxima.
Simon & Garfunkel, The Sound of Silence
Droga! É Saimonengarfunquel de novo! Bem, essa me pegou por ser trilha de "A Primeira Noite de um Homem". Tá, é uma música legal, vá!
Van Morrison, Wild Night
Que beleza de baixo sêo Van arrumou aqui, na descrição de uma noite andando pela cidade. Perfeita para fechar uma coletânea bizarra como essa.