Pegue esses dois ingredientes, adicione um console que esquentava tanto que dava para fritar um ovo e acrescente um monte de cartuchos que só pegavam com umas chacoalhadas. Pronto, eis o brinquedo eletrônico mais saudoso dos anos 80. Quem adivinhar ganha o direito de atravessar uma rua movimentada e depois um rio cheio de troncos e jacarés, tudo para comer uma mosca!
Adivinhou? Claro que estou falando do Atari, o vovô dos videogames que fez a alegria de muita criança quando o Bozo enchia o saco. Em uma prova sumária de que simplicidade pode ser sinônimo de diversão, o aparelho tinha apenas uma chave liga/desliga e dois joysticks que eram compostos exatamente por um cano preto (que controlava o carro, o avião ou o homem) e por um botão vermelho (que acelerava o carro, fazia o avião disparar e obrigava o homem a pular).
O meu Atari ainda foi brindado com uma parte de madeira, tipo o carro da família de "Férias Frustradas", sabe? E a caixa do brinquedo servia para anotar meus recordes no afã do momento. Não faz mal que às vezes o gostinho da conquista era interrompido pela bronca da mamãe para eu desligar o maldito videogame antes que a coisa queimasse de vez. O que importa é que guardo no meu coração as tardes em que passei na companhia desses joguinhos aí embaixo!
Frogger
Todo o objetivo do jogo foi explicado nas últimas linhas do primeiro parágrafo. Você controlava um sapo, que precisava atravessar uma rua por onde passavam caminhões em alta velocidade. Feito isso, ele tinha que chegar à outra margem do rio, pulando de tronco em tronco e tomando cuidado com o jacarés. Daí, era só abocanhar uma das moscas que a vitória estava garantida!
Frostbite
Eu era completamente viciada no jogo do esquimó. O pequeno precisava pular nos pedaços de gelo que passavam pela tela. Depois da missão cumprida, ele tinha que entrar em sua casinha. A tarefa ia ficando cada vez mais difícil, com os gelos aumentando de velocidade, com uns passarinhos que derrubavam o pobre e com um urso polar que ficava de guarda da porta do iglu.
Pac-Man
Você se lembra da Pacmania? Inventaram até desenho do personagem, além de uma versão feminina. Mas eu gostava mesmo do original: você tinha que guiar a bolinha comedora por labirintos, fazendo-a engolir uns tracinhos e umas frutas de bônus que ficavam nos cantos menos acessíveis. Além disso, era preciso desviar dos fantasmas que queriam acabar com a festa.
Space Invaders
Como eu gostaria que todos os alienígenas fossem parecidos com aqueles simpáticos donos de anteninhas que se movimentavam em coreografia! Mas esse jogo me deixava angustiada. A fileira de monstrinhos aproximava cada vez mais do seu canhão, cujo objetivo era destruir um por um. À medida em que chegavam perto, a velocidade aumentava. Ai, que desespero!
Pitfall
Ele parecia um palito de fósforo ambulante, mas naquela época a gente comparava-o ao Indiana Jones! Pitfall (se é que isso era o nome dele) corria, atravessava lagos pendurado em cipós, pulava em cima de cabeças de jacarés, saltava serpentes e escorpiões. Claro que movido por dinheiro, que ora aparecia em sacos, ora em forma de barras de ouro ou prata. Um clássico.
Enduro
Nem me importo com aqueles jogos modernos e reais. Ainda sou mil vezes pró Enduro, a corrida eletrônica mais bacana de todas. Começava com o céu claro, mas daí passava para uma pista nevada, depois ia escurecendo, então ficava noite e chegava a temida neblina. Seu objetivo era desviar dos outros competidores. A dica dos especialistas sempre foi: fique na pista do meio!
River Raid
O mais legal do River Raid é pronunciar RRRiver RRRaid. Não consigo falar o nome desse jogo de outra forma, ainda que meu inglês tenha evoluído horrores. O avião precisava desviar ou atirar em navios ou em outros caças pelo caminho, além de abastecer de vez em quando nos tanques de combustível. Meu Atari foi embora antes que eu conseguisse terminar a tarefa...
Tosco é pouco!