segunda-feira, 29 de setembro de 2003

Rito de sacanagem

Digam para mim: o que é uma menina vestida de cor de rosa da cabeça aos pés, posando de centro das atenções, com 15 caras a sua espera e centenas de outras pessoas contendo o riso? Eu respondo: é um dos rituais mais engraçados da era moderna.

Sempre fugi de festas de 15 anos como o diabo foge da Bispa Sônia Hernandez. Eu nem mesmo compreendo aquela onda de fazer a “passagem” da garota de criança para mocinha. Se tivesse umas formigas gigantes na parada, seria uma coisa bem indígena, não? Além do mais, ser o centro das atenções já é uma dureza tremenda, então imagine passar por isso durante a fase mais torta da vida.

Sim, porque aos 15 anos toda garota odeia seu cabelo, odeia sua pele, odeia seu peso. Daí alguém acha por bem fazer uma mega-festa para comemorar... isso?? Droga, não seria melhor preparar uma festa onde a tal menina usasse um pacote de supermercado na cabeça?

Isso posto, preciso contar sobre a minha relação pessoal com esse tipo de evento. Sempre achei um horror, mas tive que participar de várias. Em geral, eu era só uma convidada, então me esbaldava de dançar, comer, beber – e ficava só nisso mesmo. Mas, uma vez...

Bom, acontece que, uma vez, uma garota que tinha sido muito minha amiga na infância cismou que eu tinha que dançar na festa dela. Eu podia ter inventado que minha religião não permitia coisa assim? Podia, mas não fiz. E lá fui eu me enfiar num vestido rosado e ficar parecia com uma jujuba supercrescida.

Melhor explicar todo o cenário, para vocês verem que minha vida já teve passagens duras. A festa foi num hotel de São Bernardo (o “B” do ABC Paulista). A menina recebia os convidados na entrada vestida com um camisolão rosa e um urso de pelúcia nos braços. A certa altura, ela trocou o pijama por um vestido rodado (e rosado, claro), seu pai lhe colocou um sapato de salto alto nos pés e ela bailou com um cadete previamente contratado para o festelê.

Ok, eu dancei também com outro cadete previamente contratado para o festelê. Mas tem coisa que é melhor esquecer. Aliás, tem gente que esquece as coisas bem rápido mesmo. Sem querer ser venenosa, mas... dois anos depois do tal evento “virei-mocinha”, a meiga aniversariante já tinha dois filhos para criar.

Viu? Quem mandou trocar o urso pelos cadetes tão cedo?

Fla Wonka às 01:53 PM

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No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
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Na estante
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e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
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Na TV
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