sexta-feira, 26 de setembro de 2003

Elementar, meu caro leitor

"O jogo já começou!" Ontem, falei dos jogos mais chatinhos do mundo, na minha modesta opinião. Para hoje, prometi armar uma listinha com os mais legais. Como promessa é dívida, já começo o texto com uma frase presente no fim de todos os cartões de um dos meus brinquedos favoritos.

Eu ouvi Scotland Yard? Ah!, sabia que vocês não iam me desapontar! Meu tino para detetive médica ou CSI, como preferir, já se manifestava desde a mais tenra pré-adolescência, quando meu pai chegou em casa com essa caixa fininha embrulhada debaixo do braço.

No jogo, você bancava o Sherlock Holmes e tinha de percorrer Londres atrás de pistas para solucionar um caso, em locais como a Charutaria, a Casa de Penhores e o Hotel. Antes de ser dada a largada, lia-se um dos casos nos cartões. E eles tinham os nomes mais bizarros, como "O Caso da Doceira Confeitada" ou "O Caso das Virgens Desaparecidas". Quem não gostaria de resolver essas charadas?!

Eu devorei todos os cartões que vieram com o jogo e só perdi um. Isso foi um problema – ter resolvido todos, não perder um. Porque depois eu não tinha mais como jogar. E morro de saudades dos meus tempos de bloquinho na mão, atrás de pistas para decifrar o nome do assassino, a arma, o motivo e, em alguns casos, onde estaria o corpo.

Como não daria para falar de Scotland Yard em umas poucas linhas, sobram só outros quatro para completar a lista com...

... os jogos mais bacanas da minha vida

Academia
Da Grow, Academia ganhou outro nome recentemente (um bem esdrúxulo, do qual não me lembro agora). Mas dá para brincar sem o tabuleiro ou os cartões que eram conteúdo da caixa. Basta ter um dicionário. O lance era criar definições para palavras pouquíssimo conhecidas. Ganhava quem conseguia convencer mais gente de que sua definição era a correta. Depois que você pega a manha, começa a criar tudo incluindo máximas de dicionário como "ato ou efeito de sei-lá-o-quê" ou "diz-se da tralalá que encontra lirili". Aí, fica bico – e ainda assim divertidíssimo!

Mímica
Eu sei, é um mico gostar de mímica. Mas o que posso fazer? Adoro pagar macaquinhos. Dois times competem e, antes, acerta-se se a mímica será sobre filmes ou músicas – são as categorias mais legais de se brincar. Um integrante de cada equipe, escolhido a cada rodada, tem de passar o título escolhido para o resto do seu grupo. Já tive de encarar coisas como "Abbott e Costello Encontram Frankenstein" e "O Seqüestro de Patti Hearst". Pô, nomes próprios (e ainda por cima estrangeiros) não deviam valer!

Porco
A preferência por esse jogo é parte de meu espírito suíno se manifestando – com o perdão do trocadilho. Flá Wonka acha chatíssimo, mas eu já disse à moçoila que só topo a viagem das Garotas para o sítio se ela me prometer uma partida. O nome varia: já ouvi gente chamar o jogo, que consiste em juntar quatro cartas iguais e baixá-las mui discretamente, de burro. O último que baixar ganha uma letra, até formar o nome da brincadeira. Aí, o pobre é obrigado a pagar um mico.

Taco
"Licença para pegar no taco" e "Vitória!" são frases que podem soar meio estranhas (caso da primeira) ou não ter nenhum sentido (a segunda), se você nunca brincou dessa versão simplificada (e muuuuito mais legal) de beisebol na rua, quando era pequeno. Já vi regras tão variadas até de uma cidade para outra que não me arrisco a enumerá-las aqui – imagina quantas não têm nesse Brasilzão afora! Mas garanto que era a maior curtição se revezar entre atirar uma bolinha mirando numa garrafa ou latinha, bater na mesma bolinha se sua dupla estivesse com o taco e correr atrás da tal para tentar "queimar" os adversários. Tudo isso entremeado por frases do tipo dessas aí de cima. Só jogando para entender...

Clara McFly às 06:16 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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