quinta-feira, 25 de setembro de 2003

Enterra logo esse morto, pelamordedeus!

Eu adoro jogos e folguedos. Basta juntar três ou mais gatos pingados da minha turma de amigos que a primeira coisa que me vem à cabeça é tirar timinhos e armar um tabuleiro, ou passar a mão num maço de cartas.

Ao longo de anos de experiência e quatro de formação magisterial (sim, antes de ser jornalista, eu sou professora), meu menu de jogos se estendeu de forma fabulosa.

O duro é arrumar quórum mínimo para começar uma das brincadeiras. Um gosta desse, outro daquele e ninguém chega a conclusão nenhuma, me deixando desamparada no cantinho da sala com as caixas na mão.

Mas eu entendo. Eu mesma, apesar de adorar as atividades lúdicas, tenho minhas exceções – jogos dos quais só lanço mão se me pilhar numa ilha deserta por cinco anos, tendo por companhia apenas espécies símias. Aí, eu até treinaria os macaquinhos para jogar comigo uma dessas pérolas do mal...

... os jogos mais chatos de todos os tempos

Dominó
Não domino a tática necessária para competir nesse mundo de pedrinhas achatadas com pontinhos dos dois lados. Presença obrigatória de pracinhas onde se reúnem aposentados e mesas de bar, o dominó até parece ser um negócio bacana – mas vai por mim, não é.

War
Ok, é um clássico, mas não termina nunca! Quando eu acabava entrando numa partida de War, por insistência dos amigos ou de São Pedro em fazer a chuva durar por duas semanas na praia, minha tática era agüentar o tanto quanto possível e, ao sentir meu último grão de paciência se esvair, promover um ataque massivo, virando o potinho com exércitos por todo o tabuleiro e gritando: "ataque kamikaaaaaze!"

Banco Imobiliário
Ui, parem de me atirar latinhas! Parou? Então, lá vai o porque do jogo mais popular do mundo estar aqui: qual a graça de ficar acumulando terrenos, propriedades, casas, hotéis e afins? Além do mais, Banco padece do mesmo mal de War: as partidas nunca acabam.

Dama
Taí o jogo mais barato e um dos mais antigos da história da humanidade. Mas o danadinho, apesar de simples, exige uma certa técnica e alguns cálculos para ganhar – e por isso eu tô fora. Além disso, minhas mãos magrinhas deixam escapar as pilhas de pedras, quando se comem muitas de uma vez.

Buraco
Pronto. Assim eu escancaro logo minha não-predileção por absolutos clássicos dos jogos. O negócio demora demais e, quando você pensa que acabou, como se não bastasse, ainda tem o morto! Sou mais o mexe-mexe, um tipo de buraco anárquico, onde todo mundo pode mexer na mesa, independente de quem baixou ou criou a seqüência ou a lavadeira... mas tudo com muito respeito, é claro.

Muito bem. Façam suas apostas, sugestões e reclamações, mas podem esperar até amanhã, quando seguirão os jogos mais bacanas de todos os tempos, ou pelo menos dos que já conheci ao longo de meu jubileu de prata.

Enquanto isso, que tal uma partidinha de buraco? Entre vocês, é claro. Prefiro esperar contando palitos de fósforo das caixinhas, para ver se elas contêm mesmo quarenta pauzinhos.

Clara McFly às 06:35 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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