quarta-feira, 24 de setembro de 2003

Humberto, seu brincalhão!

Existem integrantes da Música Popular Brasileira que contribuem muito para me fazer acreditar que, se um dia eu quiser pilotar um ônibus espacial, eu poderei. Com o Humberto Gessinger é assim. O sucesso que o moço atingiu, aliás, me faz crer que ele é muito mais do que dizem. E vocês, que falam coisas feias a respeito do Betão, é porque não entendem a clara verdade sobre o rapaz.

Quando Humbertão adentrou o rock brazuca nos 80, foi um tremendo boom. Não podia ser diferente, já que o moço era até bem bonitinho, tinha um cabelo que o deixava a cara do Magáiver, cantava com aquele encantador sotaque gauchesco. Eu confesso mesmo, podem xingar: cantei várias do Engenheiros do Havaí, em alto e bom som, no chuveiro e fora dele.

Depois dessa fase, aconteceu a coisa mais bizarra do mundo com a banda. De animadores de multidões, eles passaram a ser execrados por público e crítica. Humbertão deve ter levado muitas latas de cerveja na cachola e recebido apelidos nada carinhosos por onde andava. Mas eu acho que isso aconteceu porque ninguém reparou no óbvio... Humbertão quer ser comediante, poxa!

Como todo bom humorista, ele não confirma que está fazendo graça com a nossa cara. Evidente. Mas dá para ter certeza sobre a nova profissão que o moço das loooongas madeixas platinadas ao ler suas canções. Na verdade, ele já dava indícios de gostar muitíssimo de fazer piada desde o começo da carreira.

Afinal, quem vai levar a sério uma rima como “Ana/ Seus lábios são labirintos, Ana/ Que atraem meus instintos mais sacanas”? Ou “Não importa se só tocam/ o primeiro acorde da canção/ A gente escreve o resto e o resto é resto/ É falsificação”? Ai, não sejam tão mal humorados! Ele só quer ser divertido, não está fazendo isso a sério...

Vejam só: “Meu coração é um porta-aviões/ Perdido no mar esperando alguém pousar”, da clássica “Nau à Deriva”, também me faz rolar de dar risada. Mas nada se compara ao trecho “Uma palavra na sua camiseta/ O planeta na sua cama/ Uma palavra escrita a lápis/ Eternidade da semana”, da SENSACIONAL e HILÁRIA “O Papa é Pop”.

Que Mamonas Assassinas que nada, ô! Engenheiros do Havaí, pela mão de Humberto, faz humor musical há muito mais tempo. Só não levou o devido crédito por isso.

E quer saber? Desde que me aventurei a parodiar grandes e estranhos emblemas da MPB, só venho recebendo mais e mais pedidos. Então, depois do grande sucesso que foi a minha “djavaneada”, agora eu darei uma “humbertada”. Perdoam?

“De revólver em punho, eu cunho
O amor que nasce aqui dentro de mim
Cigana, tirana, sacana
O sangue vai rolar até o fim”

E eu só levei dois minutinhos para isso... Porque, assim, como um Humbertão, gosto de humor feito às pressas.

Fla Wonka às 02:06 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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