Enquanto uma enganava os meninos cheios de brilhantina no cabelo, a outra dormia demais e se metia em encrenca. Outra, ainda, gostava de, digamos, assaltar a pré-escola, e uma quarta rendeu uma das mais belas canções modernas de amor. Por fim, havia a que partiu o coração de um pobre que, mesmo assim, pedia encarecidamente sua volta.
Girls rule! Pelo menos no mundo da música, onde se vê mais canções dedicadas a garotas do que aos peludos. Essas camaradinhas aí de cima são as minhas meninas preferidas de músicas dos anos 50 e 60 – excetuadas, claro, as mulheres do Fab Four.
Reconheceu as figurinhas pela breve descrição do primeiro parágrafo? Não? Então, sem mais delongas, vamos logo às apresentações. Conheçam...
Sue, a liberada
“Runaround Sue” ficou mais conhecida após ter sido incluída naquele martelado remix de músicas do Jive Bunny, presença constante em festas de formatura e afins. Dion chorava por ter sido enganado pela menina e alertava os garotos para o comportamento da moçoila, que era bem saidinha e curtia mais de um garoto por vez. Não exatamente ao mesmo tempo, é claro, mas o que você queria? Era outra década – e Sue já estava bem à frente de seu tempo...
Susie, a dorminhoca
“Wake Up Little Susie”, dos Everly Brothers, foi usada no episódio de “Anos Incríveis” em que Winnie Cooper e Kevin passavam a noite juntos – assistindo televisão e, depois, dormindo no sofá. A história da música é mesmo essa: a garota vai para uma inocente sessão da máquina de fazer doido na casa do namoradinho; eles pegam no sono e acordam assustadíssimos, pensando em como explicar a noite passada fora. Como se fosse colar esse papo de TV.
Diana, a ladra de berço
Paul Anka cantava, todo meloso, seu amor por uma mulher mais velha, a tal Diana. Pelo jeito, ela era boa na conquista: apesar da diferença da idade, ele queria muito que o casal superasse a falação das comadres, que consideravam o menino novo demais para a Mrs. Robinson da música, e permanecessem juntinhos. Será que deu?
Angie, a musa
Diz a lenda que a música foi feita para Marianne Faithfull. Para quem não conhece, a referência mais fácil sobre ela foi a participação na música do Metallica, “The Memory Remains”, onde Mari fazia o lá-lá-lá com aquela voz tenebrosa. Mas a menina tem história e foi namorada de Mick Jagger, quando ainda parecia uma bonequinha (não que ela esteja feia agora, mas, bem, os anos passam). “Angie”, dos Stones, lamenta o fim de um affair fadado ao fracasso, com versos de partir o coração. Uma beleza de música.
Carol, a dominatrix
Em “Oh Carol”, de Neil Sedaka, mesmo tendo sido feito de bobo, o cara ainda queria a tal da menina de volta. Ele ainda dizia que ela o machucou e o fez chorar, mas se a moça o abandonasse, ele morreria. Desculpa, mas deve haver algo de sadomasô nessa história. É, o povo dos anos 60 não era nada inocente... Ou eu que estou pensando coisa demais?
Tão pouco a fazer e tanto tempo...
Parafraseio o genial Willy Wonka, mas na verdade devo dizer o contrário, com um complemento: tanto a fazer, tão pouco tempo e nada de conexão rápida para a internet...
Quem já mudou de casa para montar seu próprio lar sabe do que estou falando: nem sempre a gente começa com todos os confortos do mundo (embora eu já ame minha casa, morando aqui há três dias).
Peço desculpas aos leitores que me escreveram. Vi todas as mensagens e prometo respondê-las o quanto antes, assim que voltar de minha "licença nupcial", sim?
Até já!