terça-feira, 23 de setembro de 2003

Férias muito loucas do barulho

Eu mencionei ontem, mas conto hoje em detalhes: tirei férias! Todos pensavam que eu estava postando meus artigos aqui das terras brasileiras nos últimos dez dias, não? Mas que nada. Flá estava longe, muito longe, em um local curioso onde futebol é religião, cerveja é consumida como água e toda a gente é de uma simpatia adorável. E olha que eu saí do Brasil, até onde entendi.

Ainda não foi como o sonho de descanso que tenho a realizar – 30 dias corridos, sem interrupções, dinheiro contado ou limite de quilometragem –, mas foram tempos divinos. Bom, é claro que, em se tratando de mim, coisas estranhas e não muito divinas aconteceram também. E ajudaram a deixar tudo ainda mais divertido!

Começando pelo começo: depois de achar uma boa alma que se encarregasse de cuidar dos meus 33,3...% do Garotas (Pablo, querido, eu já te agradeci o suficiente?), fiz a trouxa de roupas e me mandei. Sozinha, porque só fui encontrar meu digníssimo marido no destino final.

A ida consistiu em cerca de 11h30 sentada ao lado do escocês mais chato do mundo e que usava botas de caubói, mas cheguei bem. Como me meti a encontrar o hotel sozinha, de metrô e carregando a trouxa – na verdade uma Samsonite muito da pesada –, meus braços estão doendo até hoje. Apanhar o mouse aqui ao lado está sendo sofrido. Ui.

Mas o sacrifício valeu e eu cheguei ao moquifo reservado sã e salva (se não fosse o búlgaro que me ajudou a entender o funcionando dos trens subterrâneos, talvez esse texto acabasse aqui). Era podrinho? Era. Tinha um recepcionista com cara de Ali Babá? Tinha. Mas eu fiquei feliz de adentrá-lo mesmo assim.

Nos dias seguintes tudo foi a maior festança. Em resumo, que isso aqui não é redação de “minhas férias no sítio da vovó”, eu fiz de um tudo. Conheci museus fantásticos e cheios de múmias – inclusive da Cleópatra, mas era tão miúda que me pareceu engodo –, praças e parques que pareciam pedaços do céu, bares maneiros, gente agradável, engraçada e que fumava pelos cotovelos.

Algo de curioso também aconteceu: encontrei o mago-showman-e-sabichão David Blaine pendurado dentro de uma gaiola acrílica. Achou estranho, né? Eu também, mas é a mais pura verdade. E mais: o único bem que comprei em loja de departamentos causou depressão. É que, na saída, pessoas protestavam na porta dizendo que o tal estabelecimento era contra a causa palestina. E eu sou a favor. Droga, fui até o outro lado do mundo pra me sentir uma vira-casaca...

Mas teve só um dia de estresse verdadeiro. Uma noite, na real. Acordei no meio da madrugada com um farfalhar de plástico no quarto. Achei que era sonho, mas não. Acendi a luz, sacudi o marido e, na seqüência, me senti num desenho animado do Tom e Jerry.

Só que não tinha nenhum Tom pra correr atrás do Jerry que estava reinando pelo meu quarto, tentando roubar sobras de batatinha do lixo. Sim, um ratinho bem pequeno fez visita! E a gente mudou de hotel no dia seguinte, porque sou amicíssima dos animais, mas não a ponto de dormir abraçada com eles.

Além disso, só o que deu errado foram as diversas bolhas que surgiram nos meus pezinhos tamanho 36 de tanto andar. E o fato do indo-chinês da casa de câmbio ter afanado algum dinheiro na troca. Mas isso tudo bem, porque no dia seguinte o euro-árabe de outra casa de câmbio errou na conta para mais e isso nos compensou financeiramente.

O lugar para onde eu fui nem importa tanto, no fim. Viajar é que é o importante, o remédio que a minha alma mais gosta de receber. Seja administrado por museus e galerias ou por histórias (hoje) hilariantes sobre visitantes do reino animal.

Fla Wonka às 02:53 PM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold