segunda-feira, 22 de setembro de 2003

Eu vi o hômi!

Eu tenho alguns sonhos secretos. Um deles é andar com batedores na cidade. Acho o máximo aqueles carinhas de moto, que ficam gravitando em torno dos carros, protegendo os ocupantes e, principalmente, abrindo caminho.

Pois não é que sexta retrasada à noite estava eu lá, parada dentro do carro, em frente à casa de uma amiga que fui buscar, rua deserta e tal, quando começaram a surgir batedores da PM no cruzamento bem à minha frente?

Pensei: "São eles! Os meus batedores chegaram!" Mas quando vi que os quatro ficaram andando em círculos na dita esquina, percebi que ainda não foi dessa vez que um dos meus sonhos se concretizou…

Restou a dúvida: que diabos está acontecendo? A resposta para isso viria a seguir, quando saíram do mesmo cruzamento, ao sinal dos batedores, uma meia dúzia de carros de polícia e ambulâncias de UTI, seguidas por uma caminhoneta do Departamento de Trânsito da cidade e, no meio da algazarra toda, um carro preto, com insulfilme e… duas bandeirinhas brasileiras na frente!

Era o presidente! Sim, agora tudo fazia sentido! O presidente mora (ou morava, em São Bernardo, até ser transferido para a residência oficial de presidentes) na rua de trás da casa da minha amiga. Acho que ele estava chegando para passar o final de semana e comer frango com polenta.

Tive ganas de seguir a animada (e um pouco nervosa) comitiva. Mas aí um camburão de uma polícia especial e mais malvada (nunca sei se é a Rota ou o Garra, que para mim é aquela máquina dos etezinhos do "Toy Story") passou pelo meu carro e tive medo que eles atirassem em mim.

Pensei em acenar para o presidente (aliás, depois de sete anos como eleitora, foi a primeira vez que meu candidato ganhou), mas achei que eles também iriam atirar em mim. Andavam muito tensos, os moços de farda!

Acabei me contentando com o fato de que meu candidato, meu presidente, o primeiro da história da América Latina que comeu o pão que o diabo amassou até chegar lá, o homem no qual meu pai tanto tentou me convencer a não votar e em quem minha mãe vota desde que ela me deixava acompanhá-la na cabine de votação, o político que cumpre suas obrigações eleitorais na mesma zona que eu (ou vocês já esqueceram que o hômi é de Garanhuns, mas cresceu em São Bernardo?), passou ali, a poucos metros de mim.

E isso me deu uma alegria que nunca imaginei ter, tipo criança que vê uma girafa pela primeira vez ou que descobre as caixas de chocolate que a mãe comprou na despesa.

Clara McFly às 06:23 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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