segunda-feira, 22 de setembro de 2003

Acomode-se, já entrou a musiquinha

Sabe do que mais? A única coisa que presta nessa novela das oito, "Mulheres Apaixonadas", é a abertura da tal. Ficou ótima a idéia de usar fotos de gente comum em momentos de felicidade. Se bem que, em matéria de divertidos abres de novela, eu já tenho um ranking pronto - e que conta com peroláços do setor.

Sabe o que é? Essa abertura de "Laços de Mulheres Apaixonadas Por Amor" (foi mal, eu confundo todas...) é bacaninha, mas falta criatividade. Todo mundo só manda retrato de casamento ou com bebês. Ninguém fotografou e guardou em arquivo um bom banho de mangueira? Ou o dia em que conseguiu ouvir "Veraneio Vascaína" inteirinha?

No quesito inventividade, as aberturas de novela do passado dão de dez a zero nas de hoje. Aliás, isso também acontece nos quesitos canção, efeitos especiais e polêmica. Ora, ora... quem não se lembra do moço que desfilada de traseiro nu na abertura de "Brega e Chique"? Eu lembro. E olha que era só um bebê.

Posso revolver o fundo do baú mais uma vez, enxotar as traças e contar sobre meus abres preferidos? E sobre aquele que, bem ao contrário, é o mais detestável de todos os tempos? Segue lá.

Cinco das minhas prediletas...

O Outro (Flores em Você, Ira!)
A novela era insuportável, mas a canção era de uma das minhas bandas mais queridas. E mostrava as cenas de uma cidade em câmera bem rápida, um avanço e tanto de cinematografia. Com isso, a gente até esquecia que, na seqüência, o Francisco Cuoco ia entrar na tela.

Final Feliz (Flagra, Rita Lee)
Todo mundo em coro, vamos lá: "No escurinho do cinema/ Chupando drops de anis/ Longe de qualquer problema/ Perto de um final feliz". Não era o máximo? As cenas representavam uma galera no cinema, demais! E eu ficava a imaginar quem seria Deborah Kerr e Gregory Peck... e o que seria um drops de anis...

Roque Santeiro (Roque Santeiro, Sá e Guarabyra)
Dispensa apresentações, né? Até quem era um projeto de gente na época de "Roque Santeiro" sabe que essa foi uma das aberturas de novela mais legais. Minha parte preferida era aquela em que uma carroça passava por um cacho de bananas. Bananas azuis. Hans Donner tomou ácido nesses tempos, possivelmente.

Brega e Chique (Pelado, Ultraje a Rigor)
Olha lá a abertura que trazia o peladão! "Nu com a mão no bolso", como dizia a música, o rapaz ainda teve que receber uma folhinha de parreira nas partes pudendas a pedido da semi-censura. Tal qual pinturas renascentistas. E a gente corria pra frente da tv, sete horas em ponto, para ver se uma hora a folha cairia.

Rainha da Sucata (Me Chama que Eu Vou, Sidney Magal)
Essa valia pelo inusitado de notar dançarinos de lambada requebrarem ao lado de peças de metal montadas como gente (igual àqueles bonecos feitos de escapamento que ficam em porta de borracharia). E, evidente, para ouvir o belo timbre de Sidão entoar "seu corpo estremece e já não consegue parar..." Delírio!

... e a pior do mundo todo

Barriga de Aluguel (Agüenta Coração, José Augusto)
Se a música grudar na sua cabeça, você me perdoa. Mas como eu poderia deixar de lembrar sobre essa TRAGÉDIA televisiva? José Augusto era um cantor (?) que mais parecia um urso recém-desperto da hibernação. Cantava como quem chora, e até era desculpável, porque a droga da música era deprimente que só vendo. Para completar, o filminho da abertura era meio celestial, new age, sei lá. E terminava com uma luz parindo sabe deus o quê. "Agüenta coração", não! Devia ser "agüenta estômago".

I'm back!

Desculpa ter omitido uma coisa importante nos últimos dez dias? Desculpa, vai?

Acontece que, na verdade, eu não estava aqui. Não estava no Garotas, não estava na cidade, não estava sequer no continente. Por isso devo ter atrasado muitas respostas aos leitores fofos que mandam e-mails.

Mas viram como, no geral, o profissionalismo impera aqui nesse glorioso site rosado? Eu estava curtindo umas merecidas férias muito loucas da pesada, mas os textos entraram no ar com toda a precisão de data e horário! Somos uma holding muito da bem engrenada ou o quê?

Bom, mas o que interessa de fato é que, nos próximos dias, prometo contar mais sobre como foi sair de férias, sobre o lugar fantástico que conheci e até sobre a sensação de achar um legítimo integrante da espécie do Mickey circulando pelo meu quarto de hotel... Uuuu! Serão histórias palpitantes, podem esperar.

Fla Wonka às 03:06 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Vivi Griswold