quinta-feira, 18 de setembro de 2003

Queima de arquivo

Folhear álbum de família é sempre bacana: além de relembrar o passado, você ainda pode dar risada de sua cara quando bebê. Mas o saudável exercício de memória pode carregar efeitos colaterais desagradáveis. Lá estão fotos de uma pessoa estranha - que dizem ser você, mas não há como acreditar. Afinal, é muito duro admitir que já tivemos o corte de cabelo mais horroroso do mundo ou que já usamos um modelo de calça tão terrível que nem os piores adjetivos poderiam descrevê-lo.

Aconteceu outro dia, ao juntar minhas coisas para a mudança. Estava vendo o meu álbum de família e fiquei feliz por não ter uma caixa de fósforos ao alcance das mãos. Do contrário, seria uma grande fogueira alimentada por provas deveras incriminadoras.

Pois eu fui criança nos anos 80 e adolescente nos anos 90. Todo e qualquer modismo que aparecia, por pior que fosse, lá estava eu usando. E só aceito críticas e tiração de sarro de quem nunca ostentou com orgulho ao menos uma das roupas, sapatos, acessórios ou penteados citados abaixo. Vai ser difícil encontrar. Quer ver?

As roupas
A maior praga das vestimentas dos anos 80 atende por um único nome: ombreiras. Qualquer camisa, blusa ou paletó vinha com essas malditas almofadas sobre ambos os ombros. Será que alguém realmente achava bonito ficar com aparência de jogador de futebol americano? Fora que davam a impressão de que o pescoço da pessoa ficava ridiculamente mais curto. Outras vedetes que preferimos esquecer são as calças semi-bag - largas na perna, justas no calcanhar e com uma cintura batendo no peito. Isso sem falar em jaqueta com franja, saia balonê, polainas e aquele verde-limão que era o último grito da moda. Só se for grito de horror!

Os sapatos
Quem me vê hoje usando feliz meus sapatinhos de boneca e minhas botas nunca iria imaginar que sim, eu já usei aquelas sapatilhas com solado de bolinhas e dois pingentes de "enfeite". E, como eles machucavam meu pé, eu vestia uma meia (branca ou com florzinha). Quer coisa mais bonita? Vale lembrar ainda os insuperáveis sapatos de camurça London Fog - o meu tomou chuva e simplesmente se desfez (ainda bem!). Moda também era usar uma botinha branca de "couro" para imitar as Paquitas. E, se você for menino, admita que usou um par de Kichute com o maior cadarço do mundo, só para amarrá-lo no calcanhar dos jeitos mais complicados possíveis!

Os acessórios
O que seria de uma produção fashion sem eles? Pois o pior acessório de que me lembro é o incrivelmente horroroso relógio de raio. Ele era dourado e, conforme batia a luz, raios furta-cor apareciam. Para completar, vinham também 3 pulseiras: dourada, prateada e preta. Outra versão concorrente era o relógio de olho, com o mesmo efeito - sendo que o mostrador exibia um único e medonho... olho. Ok, eu tive os dois. Droga. Também tive dezenas de fru-frus da Pakalolo (que usava junto com o relógio de raio); pulseiras que pareciam uma régua mas, ao bater no pulso, se ajustavam perfeitamente; brincos de argola de plástico... Quanta humilhação.

O penteado
Por que as fotografias nos lembram dos cortes e penteados criminosos que usávamos no passado? Aquele repicado safado que só ficou mais ou menos decente no dia do cabeleireiro; aquele permanente que não deu certo (quer dizer, só se a intenção era ficar mais bonito do que o Luís Caldas); aquela franja que não parava de jeito nenhum; aquele alisamento que destruiu cada um dos folículos capilares; aquele gel que mais se parecia uma banha de boi. Quando eu vejo uma foto antiga, me espanta como meu cabelo era desajeitado, torto e emaranhado. E dou graças aos céus por ele estar trancafiado e escondido numa fotografia no fundo da gaveta!

.
.
.

Queria uma imagem, né? Nem morta.

Vivi Griswold às 10:37 AM

Envie esta página a um amigo



No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold