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Por uma vida maluquinha "Para minha querida sobrinha, do padrinho maluquinho - 8 de junho de 1985". É o que diz a dedicatória do livro que guardo como um tesouro. E eu entendo o motivo dele ter sido dado a mim: eu tinha olho maior que a barriga, fogo no rabo, vento nos pés e - o mais importante - macaquinhos no sótão. Como toda criança feliz, eu era igual àquele menino tão especial retratado no presente que enfeitou minha infância. Não sei quantas vezes reli "O Menino Maluquinho", do Ziraldo, mas lembro-me bem da primeira. Era meu aniversário de 8 anos e meu tio (não poderia ter sido outra pessoa a me dar esse livro), um tantinho atrasado (a dedicatória diz 8 de junho), chegou em casa com o embrulho. Li na mesma hora, em pé. Ainda naquele dia, o colori inteiro com a caixa de 36 cores da Faber Castel que ganhei de uma amiguinha. Estou com essa versão exclusiva e colorida daquele velho presente (quase 20 anos se passaram!) aqui ao meu lado enquanto escrevo esse texto. É difícil entender como um livrinho infantil consegue alcançar esse nível de excelência em algumas poucas páginas cheias de rabiscos e frases curtinhas. É a obra-prima do Ziraldo, e eu agradeço todo dia pelos dois existirem. E os detalhes no meio da história? Continuo dando gargalhadas sozinha ao ver o desenho do Pedro Álvares Cabral de tôca, os versinhos rabiscados, a batalha naval ("eu contra eu - vencedor: eu"), o mapa do país de Eufeidolôcio (cuja capital é Timólei-Mólei) e outras maluquices. Todo mundo deveria ter o direito de ser um pouquinho assim. Ao mesmo tempo em que ria de passagens como na hora do menino mostrar o boletim para os pais ("só tem um zerinho aí, num tal de comportamento"), não conseguia segurar as lagriminhas quando chegava no final e o personagem crescia. Porque apesar de ótimo goleiro, a única coisa que ele não conseguiu segurar foi o tempo. O livro termina dizendo que o menino maluquinho se tornou um cara legal. Acho que se eu também fiquei um tantinho legal depois de adulta, devo um pouco disso a ele. E aos macaquinhos no sótãos que - graças a Deus - continuam por aqui.
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