terça-feira, 2 de setembro de 2003

Eu me odeio

Não o tempo todo, claro. Eu gosto de mim na maior parte do dia. Mas é que, quando chega a hora de ver um pouquinho de televisão, em geral eu me torno uma imbecil. Se não achar loguinho um canal que esteja apresentando um seriado divertido, um documentário estranho ou um programa de variedades bem sacado, eu vou incorrer no mesmo erro de sempre: optar por ver um filme horrível pela décima nona vez.

É um fenômeno triste e que ninguém deveria confessar assim publicamente. Mas é fato: eu assisto filmes ruins SABENDO que são ruins. E VÁRIAS vezes. Não me peçam para explicar, senão eu vou ter que inventar alguma desculpa esfarrapada e a emenda vai ficar pior que o soneto.

Não tem explicação possível para alguém ver essas tranqueiras a torto e direito. Bom, eu tenho o costume de ver e rever filmes bacanas muitas, muuuitas vezes, mas isso até acho normal – quem não quer assistir o Ferris cantar no centro de Chicago pela trigésima oportunidade?

O que dá ódio de mim mesma é não conseguir trocar de canal de maneira nenhuma quando me deparo com filmes chorosos, deprimentes, óbvios e bestas como esses...

Doce Novembro
Charlize Theron é uma das moças mais lindas de Hollywood. Keanu Reeves também tem uma bela fachada (e, como é o Neo de “Matrix”, ganhou espaço no meu coração). Só queria saber por que esses dois resolveram participar de um filme tão horroroso como esse. Olha que eu sou romântica e tal, mas o papinho da garota que está nas últimas mas arruma forças para dar jeito na vida do semelhante amado é dose. Por que eu me agrido vendo isso toda vez que passa na tv???

A Corrente do Bem
Pior que descobrir meu vício por assistir repetidas vezes a esse filmeco foi saber que a Clara caiu no mesmo drama... Agora já somos duas viciadas na história bocó do menino que cria uma “pirâmide” em que o mundo inteirinho receberia ajuda alheia. E ele ainda teve esse brilhantismo sendo filho de mãe alcoólatra e de um pai... interpretado pelo Bon Jovi!!! Ahhhhh! Como eu posso recorrer no erro de parar para ver esse negócio, não?

Lado a Lado
Tudo bem, com relação a esse eu até que tenho mesmo uma boa desculpa: adoro a Susan Sarandon e o Ed Harris, dois dos protagonistas. E as crianças do filme são umas gracinhas. Mas eu me pergunto por que, maldição, eu faço questão de assistir, sempre que passa na tv, uma história diabolicamente triste onde a mãe da família tem câncer e precisa preparar a nova esposa do seu ex-marido para assumir a vida dos filhos? Não é dose? Eu sei... é.

Olhar de Anjo
Quem já conseguiu chegar ao final desse filme levanta a mão. Alguém? Alguém? Pois é, eu consegui. Quatro vezes! Correndo o risco de perder o pouco respeito que vocês leitores devem ter por mim (tendo lido essas confissões até aqui, é compreensível), eu conto tudo. Comecei a ver por causa do James Caviezel, que é um ator que eu aprecio. Mas isso não segurou. E, por incrível que pareça, o problema nem é a presença da Jennifer Lopez, a policial durona que se apaixona pelo suposto sem-teto com segredos trágicos de vida. O enredo é que é safado mesmo. Tão safado que, provavelmente, eu vou vê-lo de novo na próxima vez que passar...

Ela volta, não se preocupem

Notaram que estou usando a vaga de Vivi hoje, né? Bom, é que segundo informou nossa garota de cabelos cor de fogo, ela foi comprar cigarrinhos Pan ali na padaria, mas já volta.

Será que ela volta? Vivi, fiquei preocupada... Volta, vai?!

Fla Wonka às 10:59 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold