segunda-feira, 1 de setembro de 2003

Ao pé da letra

Há mais mistérios entre a última flor do Lácio e o sentido de algumas expressões do que sonha nossa vã filosofia. Trocando em miúdos: tem uma série de expressões que sei para que são usadas, mas que não tenho a menor pista de como acabaram significando o que significam hoje. Inclusive "trocando em miúdos".

Li uma vez que "disputar a nêga", que significa desempatar, tem duas explicações. Uma diz que, no início da colonização, os portugueses apostavam escravas. Outra, mais politicamente correta, dá conta de que a tal nêga se referia a uma garrafa de vinho escuro.

Escravas e vinhos à parte, alguém poderia me explicar de onde a expressão "tirar o cavalinho da chuva" foi virar sinônimo de "sem chance, esquece, não vai acontecer"? Será que alguém queria tanto uma certa coisa que estava disposto a deixar seu cavalo na chuva? Não me parece fazer muito sentido.

Ainda no campo eqüino, "lavar a égua" também desperta minhas dúvidas. Imagino que tenha surgido nas provas de turfe. Quando o vencedor subia ao pódio, devia lavar seu animal com champanhe. Mas eu pensei que eles corressem com cavalos, e não com éguas. Ainda tem algo mal explicado aí. (Meu raciocínio ingênuo, provavelmente).

Por fim, há uma expressão que não exatamente me intriga, mas me faz imaginar uma cena surreal. "Chá de bebê" sempre me inspirou um bebê num saquinho, grudado à ponta de uma cordinha fina, pronto para infusão. Ok, acho melhor eu parar de comer pão com manteiga e açúcar no café da manhã...

Clara McFly às 06:06 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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