segunda-feira, 1 de setembro de 2003

Minha amiga de bolinha

Alguém aí assistiu “Lilo & Stitch”? Eu me identifiquei com um monte de coisas nessa gracinha de filme, mas uma delas me tocou em especial. Assim como a garotinha havaiana, eu tive uma amiga de pano, feltro e recheio de bolinhas de isopor que morou nos meus braços e no meu coração por vários anos. Não riam, tá? Ela se chamava Cezona.

Eu disse pra não rir, poxa! A Cezona tinha mesmo um nome estranho – que eu não faço a menor idéia de onde tirei –, mas ela era muito boa boneca. Nunca descosturou, nunca ficou molenga, nunca perdeu seu recheio pela casa.

O engraçado é que eu sempre fui bem desapegada de objetos inanimados. Mas quanto o assunto era a Cezona... nossa, eu era fissurada no bem-estar da minha companheira. Botava para dormir toda noite nas almofadas, mesmo com a minha irmã reclamando para eu apagar logo a luz. E lavava toda a roupa dela quando sobrava um espaço na máquina.

Não era muito difícil achar essa brecha, na verdade, visto que o guarda-roupa dela se resumia a um vestidinho azul rodado, um chapelão e uma calçola branca. Bonecas de pano sempre usam calçolas brancas, por que será? Bom, ela tinha sapatos também, mas eles eram colados nos pés.

A Cezona era tão importante pra mim que, quando o louco do meu irmão queria me fazer chorar (como se isso fosse difícil), apanhava a amigona e passava a lhe dar uns tapas ou arremessá-la para o alto.

Essa cena me deixava tão revoltada e magoada que eu poderia quebrar toda a coleção de LPs dele em represália. Poderia, mas nunca fiz. Ainda bem, porque depois disso tenho certeza de que não ia sobrar nem um cabelinho de feltro da Cezona pra contar história.

A querida boneca, hoje, deve ser posse de alguma outra garota – tomara, tomara, tomara... porque, francamente, não me lembro do que aconteceu com ela. Parece desfeita com uma boneca tão companheira, né? Mas a Cezona, onde quer que esteja, sabe que eu amei cada bolinha dela.

Fla Wonka às 03:20 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
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· Vivi Griswold