segunda-feira, 1 de setembro de 2003

Nem passando ketchup

Quando estava na faculdade, meu grupo na aula de vídeo resolveu fazer uma divertida matéria sobre a culinária do centro de São Paulo. Saímos pelas ruas da região comprando os quitutes mais, digamos, chamativos - de churrasquinho grego a x-dog especial com duas salsichas, passando pelo churros. Depois levamos o "rango" para um chef de restaurante chique analisar.

Nem precisa dizer que o expert ficou horrorizado com o que viu (já desconfiávamos, principalmente quando a maionese do cachorro-quente começou a cheirar muito mal dentro do carro e as frituras tornaram-se pretas). Ele disse o que todos nós sabemos: a carne do churrasco grego, a salsicha e o óleo do churros são reciclados por semanas, até serem vendidos a 1 real (ou um passe). No decorrer do processo, as comidas tomam sol e absorvem a poluição ambiente. Hmmm, delícia!

Vou confessar uma coisa: não tenho hábitos alimentares refinados, e apesar de meu peso equivaler a dois sacos de farinha, gosto de comida de trabalhador. Não troco um prato de arroz-feijão-bife-salada por nenhuma culinária francesa, com uns respingos decorativos e uma azaléia. Mas há certas coisas que eu não engulo, nem passando ketchup (ou colocando chantilly, no caso dos doces). Portanto, não me convide para comer...

Salgados de boteco
Aquela coxinha com osso de verdade enfiado, aquele "risóleo" de presunto e queijo, aquele croquete de carne... Tudo acompanhado pelo famoso "pingado" (café com um pingo de leite). Só se eu estiver entrando num perigoso estado de inanição, com uma moeda apenas na carteira e com um remédio para digestão no bolso. E olhe lá.

Maionese de "kilo"
Ao ver aquela maionese moldada em fôrma de pudim, com um ramo de salsinha em cima para decorar, sim, eu fico com vontade de colocar uma colherada no prato. O diabinho no meu ombro fica tentando me convencer, enquanto o anjinho tenta me lembrar que nem sempre existe um banheiro disponível para onde eu possa correr quando o quitute agir dentro de mim.

Caldo de mocotó
Em lojas de produtos nordestinos há sempre uma placa: "temos caldo de mocotó". Isso é bom? Porque eu não comeria por dinheiro algum. Tá bom, por uma megasena acumulada eu daria uma provadinha. Mas nunca por menos que isso. Meu primo gostava quando era criança e hoje é uma alma arrependida, principalmente quando descobriu do que é feito essa delícia.

Maria-mole colorida
No supermercado tem uma seção dedicada a doces "underground", que ainda não conquistaram o mesmo status do marrom-glacê ou da goiabada. A maria-mole colorida (e com confeitos) é um deles. Ela é comprida e vem numa bandeja de isopor junto a outros exemplares. A mim, me lembra uma língua de boi, só que azulzinha e rosinha. Eca.

Salgadinhos de isopor
Eles costumam vir em sacos maiores do que eu (ok, não é difícil, mas lembre-se de que estamos falando de salgadinhos), são amarelos e não possuem gosto algum. A consistência é de isopor, daí o apelido carinhoso. E parecem aquelas coisinhas que as lojas de internet embalam junto com o produto que você comprou, para protegê-lo. Deu vontade de experimentar?

E, finalmente...

Buchada
Ou rabada, ou qualquer outra coisa terminada em "ada" e que tenha saído de um bicho. Essa nem vou explicar - porque eu quero guardar o que sobrou do meu apetite para o almoço da mamãe.

Vivi Griswold às 10:29 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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