sexta-feira, 29 de agosto de 2003

O mundo encantado da crueldade

Quem olha hoje para a Disneylândia e vê o Mickey e a Minnie cabeçudos alegrando as criancinhas pode não conseguir imaginar como o sêo Walt já estragou muita infância. Os longas-metragens mais antigos continham cenas de pura crueldade que eram capazes de traumatizar toda uma vida. E eu faço aqui meu testemunho. Quer ver?

O exemplo mais clássico é "Bambi", logicamente. Alguém tem noção efeito que aquela cena de morte da progenitora do bicho pelas mãos cruéis de um caçador pode causar numa criancinha? Quando eu fui no cinema assistir à história, minha querida mamãe achou que estava fazendo um bem danado para mim, injetando um pouco de magia na vida da filha (já narrei essa história aqui).

O caso é que eu abri o maior berreiro na sala de projeção, no ônibus de volta para casa, no banho, na hora de dormir e no dia seguinte, logo antes do café-da-manhã. Tudo bem: bichos indefesos são mortos todos os dias por caçadores, mas não dava para insinuar isso de um modo mais sutil para uma menina de 4 anos?

Outro terror era "Dumbo" (repare como são sempre filhotes fofos separados dos pais). O pobre elefantinho comia o pão que o diabo amassou, cuspiu e usou de areia para gato. Ele era motivo de chacota por conta das orelhas enormes - e a partir daí toda criança com orelhas grandes ganhou o singelo apelido de Dumbo para traumatizá-la. Mas o pior estava por vir.

A mãe do Dumbo era maltratada no circo, ficava confinada dentro de uma jaula mínima e tinha correntes nas patas. A cena em que o elefantinho chega até o cubículo da mãe e ela coloca a tromba para fora e começa a ninar seu bebê e a cantar é de fazer chorar até um pedaço de minério de ferro. Se isso não afeta uma criança sensível, não sei o que mais afetaria. Pelo menos, nunca tive vontade de ir em circos, o que é muito bom.

E há outros vários exemplos: o assustador dragão de "A Bela Adormecida"; a madrasta maléfica da menininha de "Bernardo e Bianca"; as irmãs más de "Cinderela"; a louca que queria um casaco feito de cachorrinhos em "101 Dálmatas" e por aí vai.

Ok, sei que sou chorona e tal. Mas eu ainda não me sinto preparada para rever esses clássicos da crueldade que me afetaram tanto quando eu podia contar minha idade nos dedos de uma mão. Aliás, ainda não consigo segurar as lágrimas em desenhos de hoje, como "Procurando Nemo" - e a cena em que o papai pega nas barbatanas o único filhotinho que sobrou do massacre da barracuda que também ceifou a vida da mamãe.

Será que eu preciso de um psicólogo? Se precisar, será que eu posso mandar a conta lá para a casa do Mickey?


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Já ia me esquecendo... Sábado às 20h, você poderá ouvir (sim, ouvir!) nossas vozes de menininhas de 5 anos numa imperdível entrevista que fizemos à Rádio Eldorado AM! Você que é de São Paulo deixe de pegar um cineminha e sintonize 700 kHz no programa Plug 700. Tem reprise no domingo, às 21h. Vai perder?

Vivi Griswold às 10:21 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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· Flá Wonka
· Vivi Griswold