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Manhãs pré-históricas O bom de ter seis anos é... ah, tem muita coisa boa sobre ter seis anos. Eu lembro perfeitamente. Era quando tinha uma doce professora, bebia leite com groselha aos litros, usava conga vermelha com meia azul, tinha cabelo tigela e acordava no sábado às 6h30 para ver televisão. Era o horário do meu programa predileto. Trazia uma família que, por obra do destino, foi viver em meio aos dinossauros! Um show de roteiro e imagem! Manhã de sábado era horário cativo dos desenhos Hanna-Barbera, mas antes disso eu precisava sintonizar na Record e ver "O Elo Perdido". Quem lembra levanta o dedo balzaquiano! Will, Holly e o pai deles, o Senhor Rick Marshall, saíram de casa para um passeio de bote nalgum rio americano. O transporte, no entanto, botou a família numa gelada: caiu de uma cachoeira e levou todos para... a Pré-História. Tá, não fazia o menor sentido, mas quem liga? Eles passaram três temporadas na terra dos dinossauros, correndo do T-Rex, fazendo amizades com Cha-Ka (para quem não lembra, se pronunciava "Tchaca", beleza?) e fugindo dos Sleestaks. E toda aquela produção setentista foi o suficiente para me conquistar. Por partes: os dinossauros eram animações quadro-a-quadro tão podres que se mexiam aos solavancos. Pior é que me davam o maior medo (eu tinha seis anos, poxa, morria de medo até de ver a vizinha usando bobbis no cabelo...). O grupo dos elos perdidos era bizarro também. Além do Cha-Ka, tinham dois outros semi-macaquinhos que usavam um macacão peludo (isso ficou estranho...) como figurino. Tenho certeza que vi o zíper nas costas daquele traje várias vezes. Mas isso também não era motivo para deixar de me aboletar no sofá com o cobertor e o travesseiro para ver "O Elo Perdido". Principalmente por causa dos Marshall. Eles eram heróis. Não só porque conseguiram sobreviver a todos os contratempos do diabólico pulo temporal, mas porque, apesar de terem apenas uma muda de roupa cada, mantinham-nas impecáveis. Holly, inclusive, tinha cabelos milimetricamente penteados e trançados! Uma dama pré-histórica. A melhor parte de todas, entretanto, era quando o grupo tinha que visitar a caverna dos Sleestaks. Eram bichões verdes parecidos com aquele sujeito de "Inimigo Meu", que andavam fazendo um chiado e cultuavam uma cabeça de sua própria espécie. Duro é que, por mais que os Marshall corressem e os Sleestaks apenas caminhassem calmamente, eles sempre estavam a dois passos da família trapalhona. Assim era a lei e a ordem da saudosa terra de "O Elo Perdido".
Levando em conta a diferença de idade, os Marshall e o Chefe Sleestak tinham uma relação cordial... |
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