Desde 1975, um grupo rotativo de malucos comandado por Lorne Michaels se reúne no Rockefeller Center, em Nova York, acompanhados de um convidado especial e de bandejas generosas de quitutes, para criar mais um episódio de um dos humorísticos mais bacanas da TV. Quer mais uma dica? Então, lá vai: "Live from New York, it's Saturday night!"
Na minha lista secreta de coisas-que-mais-desejo, proferir esta frase no palco do "Saturday Night Live" vem antes de dizer a famosa "… and the Oscar goes to".
O curioso é que, a princípio, eu achava o humorístico chato e hermético demais. Depois percebi que, como os Estados Unidos são mesmo os donos da bola da vez, não era difícil estar inteirada de 80% dos temas avacalhados por eles no programa: bastava assistir ao jornal, que as principais manchetes e notícias ianques sempre estavam ali.
Aí, comecei a ver graça e sacar o humor ácido (contra o próprio american way of life) da trupe. E não parei mais.
Depois de assistir a um "Biografia" do A&E Mundo sobre a série, fui além: pensei em vender todos meus pertences (que se resumem ao Deep Purple e a uma coleção inacaba de "Os Fabulosos X-Men"), comprar uma passagem para NY e esperar sêo Lorne na porta do Rockefeller Center, para abordá-lo e dizer: "deixa eu trabalhar aqui, vá?"
Enquanto não crio coragem para isso, continuo assistindo às reprises dos episódios e me deleitando -- e algumas vezes pegando também os mais recentes, que passam num horariozinho cão: sábado, 23:00, na Sony. É pedir para dar audiência-traço!
Dessas noites de gargalhadas no sofá, quando todos já estão dormindo, é que surgiu a lista dos quadros mais engraçados que já vi no "SNL". Encha os pulmões, grite comigo "ao vivo, do Garotas, é a lista dos melhores quadros do Saturday Night Live" e corra pro abraço. Ou para a troca de figurino ali nas coxias do estúdio…
Coffee Talk with Linda Richman
Mike Myers criou a personagem baseado na sua sogra - que aprovou e aplaudiu. Linda é uma dessas tiazonas judias do subúrbio, uma espécie de Mirtes norte-americana, que apresenta um talk-show. Ela é fã da Barbra Streisand e mistura um monte de frases incompreensíveis, em ídiche, no meio da conversa. Quando ela solta um "I'm getting a little 'verklempt' here", é de chorar de rir.
Copy Guy
Rob Schneider não é lá essas coisas na telona, mas se dava muito bem como o "Cara da Máquina de Xerox". Ele era aquele típico chato, que fica puxando conversa com as pessoas da firrrma na máquina copiadora. Falava, falava e não falava nada, até irritar por completo o interlocutor.
It's Pat!
Julia Sweeney encarnava um/uma personagem cujo gênero era impossível identificar. Era apenas Pat. Harvey Keitel, em sua participação especial, contracenou com Pat. Ele era um náufrago solitário, que encontra Pat numa rede de pesca. Mesmo depois de, digamos, trocar fluídos corporais com a figura, ainda não é capaz de dizer qual seu sexo.
Church Chat
Dana Carvey se transformava numa velhinha carola chatésima e reprimida, no comando de um talk-show hilário, onde tirava todos os seus convidados suspeitando que eles teriam algum pacto com Satã. No fim, ainda tinha aquela dancinha ótima, uma espécie de baião. "Well, isn't that special?" Eu acho!
Weekend Update
O quadro de notícias, salpicado de comentários ácidos, foi apresentado por vários atores, conforme a temporada. Dos que já vi, os melhores são:
- Chevy Chase, que abria o telejornal com a frase: "Good evening. I'm Chevy Chase and… you're not" ("Boa noite, eu sou Chevy Chase e… você não é").
- Dennis Miller, que tem um cinismo perfeito para a apresentação das notícias de mentirinha e terminava com "guess what, folks? That's the news, and I'm outta here!" (algo como "adivinhem só, pessoal? Essas foram as notícias e eu tô me mandando!")
- os atuais Tina Fay e Jimmy Fallon, que têm um timing perfeito -- além do mais, as notícias têm mais graça, porque são recentes.