Já escrevi aqui sobre o tormento que é almoçar, jantar ou até tomar um lanchinho rápido em shoppings cujas praças de alimentação contam com música ao vivo. Cá entre nós: ouvir uma canção é algo ótimo para alegrar o dia, mas tem que ser daquele CD que colocamos, ou da rádio que sintonizamos por nossa própria vontade. Trilha sonora imposta por terceiros (e, na maioria das vezes, com um repertório terrível), é difícil de engolir.
Repare em quantas vezes somos obrigados a ouvir uma música que a) não escolhemos, b) não temos como desligar e c) não há como pedir para alguém diminuir o volume. Você vai reparar que nosso dia-a-dia é recheado por acordes que não pedimos para existir. Como já disse, canções são bem-vindas, na maioria das vezes. Mas será que dá para puxar da tomada o fio da vitrola de...
Supermercados
Fazer compra do mês em supermercados é algo para o qual eu já não tenho lá muita paciência. Por enquanto eu acompanho a minha mãe, que costuma demorar trinta minutos para se decidir entre duas marcas de ervilha em conserva e toda vez fica resmungando na seção de carnes (ela é vegetariana e a gente não). Toda essa lenga-lenga só piora com a trilha sonora escolhida pelos estabelecimentos. Os últimos sucessos daqueles grupos classe Z tipo Katinguelê e Só No Sapatinho.
Esperas de telefone
Outro dia disquei o número de um banco só para pedir uma pequena informação. Ao invés de ser recebida por uma pessoa de carne e osso fazendo seu trabalho de dar assistência a clientes e futuros clientes, adivinhem quem atendeu à minha chamada? Ela mesma, Maria Bethânia! Não sabia que dona Bebê trabalhava no Bradesco. O fato é que aquela mulher berrou no meu ouvido por (juro) 15 minutos, até eu perder a paciência e colocar o fone no gancho.
Carros de som
Pode ser pamonha, amaciante de roupas, político ou liquidação das lojas Marabraz. Toda e qualquer propaganda feita à quatro rodas pela cidade é acompanhada pela trilha sonora dos infernos. Ontem mesmo eu ouvi "A Dança da Garrafa". Peloamordedeus, quem ainda escuta "A Dança da Garrafa" nessa encarnação? Parecia que tinha voltado no tempo lá para o Carnaval de 1996, pô! Foram 7 anos tentando esquecer esse raio de música e 1 minuto para lembrar dela tudo de novo!
Consultórios
Eu, menina que sou, tenho que frequentar aquela especialidade médica chamada ginecologia, com exames invasivos e vergonhosos. Na sala de espera do consultório, me preparo psicologicamente para ser apalpada por alguém sem permissão para fazer isso. Pelo bem (hein?) do humor das pacientes, um aparelho de som toca Enya sem parar. Isso é para a gente ficar mais relaxada? Tem certeza? Dá vontade de socar aquela irlandesa - que, para mim, me lembra ginecologista.
Festas no vizinho
Tenho vizinhos (bate na madeira três vezes) pagodeiros. Quer dizer, não são bem vizinhos, uma vez que moro no nono andar de um prédio e eles moram numa casa "germinada" na rua de cima. Mas quando dão festas - lê-se "toda a semana" - parece que há 10 criaturas batucando aqui dentro do meu quarto. Nunca vi gente com maior disposição para fazer aniversário, viu? Até o "Parabéns a Você" é em ritmo de pagode. Criatividade pura (que, aliás, dá um bom nome de grupo, hein?)
Trem "espanhol"
Para quem não mora em SP: o trem "espanhol" (não me pergunte) é para ser moderno. Tem ar condicionado, poltronas confortáveis e... trilha sonora! Agora imagine você trancafiado num vagão, de pé, com 100 trabalhadores se esfregando para passar e, no processo, derrubando sua bolsa de cinco em cinco minutos. Tudo isso ao som de "Amor I Love You", "Esperando na Janela" e uma da Fernanda Abreu que eu não sei o nome (nem quero saber e tenho raiva de quem sabe). Não há por onde fugir!