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Nas prateleiras do cinema Um dos meus maiores desejos é, um dia, abrir uma livraria. Não precisa ser grande, não precisa render muito dinheiro. Só de viver entre livros e mais livros - e se tiver, talvez, um cachorro sonolento para me fazer companhia durante o expediente - eu já ficaria feliz. Por isso me apego tanto aos filmes ambientados nesse ramo. Estar cercada por grandes obras da literatura parece não ser um prazer só meu, aliás. Como os roteiristas gostam de botar gente bacana atrás de balcões de livraria... Isso me faz querer com mais vontade ainda ter uma lojinha assim. Pô, eu quero ser bacana também. O primeiro filme com livreiros que assisti foi Nunca Te Vi, Sempre Te Amei. É uma filmagem baseada no livro de uma senhora chamada Helene Hanff - e é uma história de verdade! Ela morava na Inglaterra e escrevia sempre para uma livraria americana à caça de títulos difíceis de encontrar. Daí, de tanto trocar cartinhas, ela e o vendedor criam uma relação, assim... de apertar o meu coraçãozinho romântico! E a livraria do moço é um xuxu, claro. Mas, em termos de charme, o estabelecimento gerenciado pela querida Audrey Hepburn em Cinderela em Paris ganha. É um moquifo, na verdade. Todo marrom, escuro e lotado de caixas. A cena em que a equipe de uma revista vai fotografar dentro da tal loja e deixa a pobre Jo Stockton enlouquecida com a bagunça é deliciosa. Vejam, vejam! Claro que a livraria do Hugh Grant em Um Lugar Chamado Notting Hill fez crescer os meus olhinhos também. Não era lá a mais aconchegante do mundo, mas era dedicada a livros de viagem, que são quase que os meus favoritos. William, o dono, não fazia muito lucro com a "Travel Book Shop", mas quem liga? Eu queria ser sócia dele (e nem é pelo fato dele ser a cara do Hugh Grant). Mas é evidente que a minha preferida de todas é aquela que conjuga todos os quesitos de uma loja perfeita. Em Mensagem para Você, Kathleen Kelly era dona da "The Shop Around the Corner", uma livraria infantil. Tinha decoração alegre, tinha mesinhas coloridas para as crianças, tinha sacola de pano para embrulhar as compras, tinha estantes envidraçadas. E, acima de tudo, tinha horário marcado para a Contadora de Histórias! Quando eu tiver a minha loja, vocês vão ser sempre convidados para ir até lá ouvir os grandes clássicos da literatura infantil contados pela minha voz de gralha animada. Prometo usar chapéu de fada com tule na ponta, como a Srta. Kelly.
Se eu tivesse essa loja encantadora também a defenderia fazendo piquete! |
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