quinta-feira, 14 de agosto de 2003

Musiquinha pra ficar tristinha

Fico pensando: quantas crianças será que a Xuxa e a Simony mandaram para o psiquiatra por conta de depressão profunda? Devem ter sido várias. Eu fui séria candidata, porque quase desidratei de chorar a cada vez que ouvi tocar “Ursinho Pimpão” e “Meu Cãozinho Xuxo”...

Lembram? Eu ajudo, mas vocês têm que prometer não inundar o teclado com lágrimas nem ligar pra mamãe em prantos, ok?

“Meu cãozinho Xuxo,
O que eu sinto por você só com palavras não sei dizer
É melhor calar, vamos correr,
vem me pegar, fique feliz porque eu te amo
Xuxo eu me lembro da primeira vez
em que eu te vi, foi maravilhoso
Você olhou pra mim, logo percebi
que com você seria tudo muito mais gostoso...”

“Vem meu ursinho querido
Ator preferido da minha estação
Vou te sonhar colorido
Pegando bandido na televisão
Vamos deixar o cansaço
Dormir num abraço, meu velho amigão
Não fique triste e zangado
Se eu viro de lado e te jogo no chão
Ah! Meu ursinho palhaço
Seu circo é um pedaço do meu coração
Dança também – Pimpão
Pelo salão – Pimpão
É tão bonita nossa canção
Manhã já vem – Pimpão
Dorme Pimpão – Pimpão
Urso folgado não tem lição”

Qual a utilidade pedagógica de criar músicas funestas assim, me expliquem!

A primeira tem a pachorra de falar sobre um cachorro moribundo (parece que o tal do Xuxo empacotou mesmo em 1995, uns anos depois da tal canção ser gravada). A segunda não é de temática tão triste mas... droga, eu era muito apegada em brinquedos, e imaginar o pobre do urso sendo arremessado no chão me deixava acabada.

Claro que tudo isso era feito de caso ultrapensado. Ambas eram, se não me engano, a última faixa do Lado B dos discos onde foram gravadas. Quer dizer: a tonta criancinha pulava e cantava animada todas as músicas do LP. No final, escutava a canção-tragédia de fechamento, a felicidade virava pó e mamãe era obrigada a voltar o disco no começo, para acabar com o berreiro.

Bom, pelo menos era o que acontecia comigo. Na verdade, depois que percebi o quanto “Ursinho Pimpão” e “Meu Cãozinho Xuxo” me deixavam na fossa, eu corria até a vitrola para segurar a agulha antes mesmo das duas se aproximarem. Não queria ouvir nem os primeiros acordes!

E isso teve reflexo para toda a vida. Penso que nunca mais vou querer ter um cachorro, por puro medo dele morrer de doença grave e eu enlouquecer de tristeza. E tenho um bode imenso de urso de pelúcia. Vai que ele resolve revidar os maus tratos...

Fla Wonka às 02:39 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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