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Bom dia, querida Lygia Certa vez, ao ligar o meu computador na redação da agência de notícias, encontrei uma mensagem que há muito esperava. Era de uma assessora de imprensa da editora Rocco - meu contato para conseguir a tão sonhada entrevista com Lygia Fagundes Telles. Mais do que uma matéria como outra qualquer, aquilo tratava-se da realização de um sonho antigo: Lygia sempre teve um lugar reservado no meu coraçãozinho. A autora não se sentia bem para conversar comigo ao vivo (dizia ela que estava cansadinha...) e eu também estava transbordando de trabalho. Então concordei, a contragosto de primeira, em mandar algumas perguntas por e-mail. Fiquei sem a conversa intimista que queria - tinha imaginado uma tarde regada a chá, biscoitinhos amanteigados e um papo animado sobre gatos. Mas quando abri a mensagem e li um doce "Bom dia, querida" digitado pelos mesmos dedos que fizeram obras tão maravilhosas, a frustração foi embora. Ela tinha escrito um punhado de linhas só para mim. Tudo começou quando eu tinha uns 13 anos e estava de bobeira na casa da minha avó. Na sala há uma estante gigantesca de livros, herança deixada pela tia professora (e traça de biblioteca, como se diz) quando se mudou para outro país. Era dela o livrinho cheirando a mofo que peguei naquela tarde. Comecei a ler como quem não quer nada, e depois de algumas horas consegui chegar ao fim, sem descanso. Era "Ciranda de Pedra", o primeiro romance de Lygia - e a paixão foi imediata. A sensação que tive - e que viria a se repetir a cada obra da autora que eu garimpava - era de que a narrativa era tão palpável e tão gostosa que dava vontade de comer cada palavrinha de colher, como se fosse um pudim de leite condensado ou uma delícia parecida. Reli "Ciranda" algumas vezes, e consigo recitar trechos inteiros - Virgínia, para mim, é alguém de carne e osso e muito familiar. Depois conheci "As Meninas" e "As Horas Nuas", também romances, e os contos de "Antes do Baile Verde" (esse título não é o máximo?) e o que eu suspeitava virou verdade: poucas vezes li personagens femininas tão complexas e maravilhosas. De vez em quando costumo pegar um de seus livros para ler trechinhos aleatórios e, quem sabe, ficar contaminada de alguma forma pela qualidade daquela escrita. Ah, o encontro acabou acontecendo, pouco depois da entrevista. Foi na Bienal do Livro de São Paulo, no ano passado. Fugi da cobertura do prêmio Jabuti (onde vi a Ruth Rocha, outra paixão) para enfim conhecer Lygia pessoalmente. Não pude falar com ela, que estava de convidada em um seminário, mas fiquei olhando sem piscar para a figura frágil e encantadora de uma das minhas ídolas. E fiquei feliz. Boa notícia! Nosso arquivo de textos, que estava no limbo desde 1 de julho por conta daquele probleminha com o servidor, está finalmente de volta. Agora você pode encontrar todos os artigos do Garotas, de abril até hoje. Faltam ainda alguns acertos nas páginas, mas o importante é que nossos bebês voltaram para casa! Então não repare na bagunça, hein, visita? |
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