quarta-feira, 25 de junho de 2003

Pago mesmo, e daí?

Quem não pagou o mico daquelas apresentações de fim de ano na escola, onde as crianças se vestiam com belas saias de papel crepom (para as meninas) ou chapéus de cartolina (os meninos) e cantavam e/ou dançavam alguma coisinha que, embora ensaiada à exaustão desde um mês antes da apresentação, ainda saía das marcações e só convencia mesmo as mães?

Pois eu, não contente em pagar essas espécimes símias, peguei gosto pela coisa. Além das apresentações oficiais da escola, ainda organizava outras para fechar o ano nas férias de verão que passava na praia. Muitas vezes com a ajuda da minha mãe.

Até que eu, minha prima e irmã decidimos fazer uma peça por conta própria. Eu contava 12 verões à época e escrevi um primor (ao menos parecia ser um) de comédia, de cunho político e social, que misturava no mesmo caldeirão o presidente recém-eleito Collor, sua ministra da Economia Zélia, o Papai Noel e o garoto-propaganda da C&A, Sebastian.

Os detalhes de como esta bizarra turma se interligava fica a seu critério – mesmo porque eu até gosto de pagar mico, mas nem tanto. O fato é que minha prima ganhou o papel do Sebastian. Para isso, meteu uma meia-calça na cabeça, para parecer careca; pintou a cara toda com carvão (a gente não tinha noção mesmo) e vestiu uma roupa inteira branca – salvo as manchas causadas pela manipulação dos tiçõezinhos.

O gran finale tinha até um numerozinho musical (como se não bastasse toda a salada anterior). Não contentes em promover tudo isso, ainda deixamos que alguém filmasse a peça. E fomos muito aplaudidas no fim. Claro, a apresentação foi no Natal e a casa estava lotada de amigos e parentes.

O que tirei disso? Três lições: não confie na opinião de sua família; não deixe registro de suas bobagens e, por fim, divirta-se enquanto puder. Poucas ocasiões figuram na pasta “Coisas Mais Gostosas que Já Fiz na Vida”, junto à nossa peripécia nessa feita.

Clara McFly às 06:38 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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