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Pago mesmo, e daí? Quem não pagou o mico daquelas apresentações de fim de ano na escola, onde as crianças se vestiam com belas saias de papel crepom (para as meninas) ou chapéus de cartolina (os meninos) e cantavam e/ou dançavam alguma coisinha que, embora ensaiada à exaustão desde um mês antes da apresentação, ainda saía das marcações e só convencia mesmo as mães? Pois eu, não contente em pagar essas espécimes símias, peguei gosto pela coisa. Além das apresentações oficiais da escola, ainda organizava outras para fechar o ano nas férias de verão que passava na praia. Muitas vezes com a ajuda da minha mãe. Até que eu, minha prima e irmã decidimos fazer uma peça por conta própria. Eu contava 12 verões à época e escrevi um primor (ao menos parecia ser um) de comédia, de cunho político e social, que misturava no mesmo caldeirão o presidente recém-eleito Collor, sua ministra da Economia Zélia, o Papai Noel e o garoto-propaganda da C&A, Sebastian. Os detalhes de como esta bizarra turma se interligava fica a seu critério – mesmo porque eu até gosto de pagar mico, mas nem tanto. O fato é que minha prima ganhou o papel do Sebastian. Para isso, meteu uma meia-calça na cabeça, para parecer careca; pintou a cara toda com carvão (a gente não tinha noção mesmo) e vestiu uma roupa inteira branca – salvo as manchas causadas pela manipulação dos tiçõezinhos. O gran finale tinha até um numerozinho musical (como se não bastasse toda a salada anterior). Não contentes em promover tudo isso, ainda deixamos que alguém filmasse a peça. E fomos muito aplaudidas no fim. Claro, a apresentação foi no Natal e a casa estava lotada de amigos e parentes. O que tirei disso? Três lições: não confie na opinião de sua família; não deixe registro de suas bobagens e, por fim, divirta-se enquanto puder. Poucas ocasiões figuram na pasta “Coisas Mais Gostosas que Já Fiz na Vida”, junto à nossa peripécia nessa feita. Clara McFly às 06:38 PM |
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