quarta-feira, 25 de junho de 2003

Santa de casa

Todo mundo que já passou alguns minutos de tédio pela Internet deve ter feito essa coisa aparentemente estúpida e arrogante, mas muito esclarecedora: colocar o próprio nome em algum sistema de busca e ver o que aparece. Ah, você nunca teve essa experiência? Duvideodó. Eu mesma fiz isso algumas vezes, arrisco dizer. E fiquei pasma com alguns resultados.

Pra começo, meu nome sempre me causou algumas raivinhas, não pelo nome em si - que eu gosto muito - mas porque posso contar nos dedos quantas pessoas o acertam de primeira. Após passar a infância e a adolescência comprando briga por causa disso, até que me acostumei a ser chamada de Viviane 80% das vezes. O diálogo é mais ou menos assim:

- (Alguém) Como é seu nome?
- (Eu) Viviana.
- (Alguém) Ah, então, Viviane, o que eu tava dizendo era...
- (Eu) Grrrrrrrr.

Segundo minha mãe, ela passou a gravidez inteira achando que ia me chamar de Cecília. Mas daí caiu nas mãos dela um daqueles livros de 1001 nomes de bebês e ela achou esse bonito. Tá, essa história não tem nada de emocionante. Sei lá, só quis contar.

Então, voltando à procura. Em primeiro lugar, achei uma referência à novela mexicana "Viviana". Sim, isso existiu, e me lembro o quão constangedor foi quando o SBT resolveu passá-la não uma, mas DUAS vezes. Do enredo eu me esqueci, mas aposto que era sobre uma menina pobre, órfã e sofredora, que vende coisas como dobraduras de guardanapo para sobreviver. Daí ela se apaixona por algum playboy e fica sofrendo ao ser esnobada por ele - e pela vilã ultra rica e ultra maquiada.

Outro resultado interessante foi a referência às lendas do Rei Arthur. Sempre adorei saber que meu nome tem alguma coisa a ver com Avalon e Camelot (apesar deste último ser um lugar muito bobo, se é que você me entende). Não sei se compro muito a balela - tinha uma Vivienne em algum lugar, não tinha? Ainda assim, fico feliz com a proximidade à turma de Merlin.

A melhor descoberta de todas foi a da Santa Viviana. É sério, ela existe! Tentei me aprofundar mais no assunto, porém descobri pouca coisa. O dia dela é 2 de dezembro e costumam rezar pelas suas graças em casos de reumatismo. Reumatismo! Quer coisa mais específica? Não poderia ser a santa dos endividados, dos pobres e oprimidos, das criancinhas, gatinhos e cachorrinhos carentes? Não, tinha que servir só para dor nas juntas.

Estava quase me deprimindo com essa falta de poderes de Santa Viviana quando apareceram algumas informações sensacionais sobre a minha xará. Apesar dela ter nascido em Roma (bingo!), sua fama foi feita na Beira Baixa, em Portugal. Não se sabe o motivo, mas as mulheres bêbadas do local passaram a adorá-la, fazendo dela a padroeira da manguaça! Pode? Bem que eu sempre me achei solidária à saga de Heleninha Roitman. Será que ela também sofria de articulações doloridas? Daí, tudo faria sentido.

Vivi Griswold às 09:45 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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