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Lição de piano, no sofá Nos meus doiros anos de infância, poucas coisas me deixavam mais empolgada que os especiais infantis da TV do Sêo Marinho (ó o respeito, que agora ele também é nosso chefe). Especialmente se, poucos dias depois da exibição acompanhada por mim no horário nobre, meu pai chegasse em casa com um embrulho quadrado e fininho debaixo do braço: a trilha sonora do tal! Quem viveu nessa época, como eu, também deve ter tido medo da música da Cuca cantada pela Ângela Rô-Rô (também, pudera!) no LP (sim, aquela maravilha de vinil enorme e com um buraco no meio) na trilha do "Pirlimpimpim", baseado na obra de Monteiro Lobato sobre o Sítio do Picapau Amarelo. E aquela parte em que ela começava a falar umas incongruências bruxísticas, tipo "frico frico frico/ nheco nheco nheco"? Eu corria de onde estivesse para pular a faixa. Outra coisa que me metia um pouco de medo eram aquelas formigonas do "Plunct Plact Zum", que queriam comer crianças com cobertura e cantavam com voz bem escabrosa o refrãozinho "Marshmallow, chocolate/ caramelo, chantily..." Da "Casa de Brinquedos", tinha a música da Simone sobre a bicicleta. Só recentemente entendi que ela soletrava a palavra no refrão: "Bê-i-cê-i-cê-éle-ê-tê-á/ sou sua amiga bici-cleta!". Mas minha faixa favorita, imbatível até hoje, é "Lição de Piano", uma marchinha com fraseados pianísticos (?!) assinada pelas Frenéticas. O que era aquela historinha sobre o professor de piano e a menininha, que viviam um tórrido romance entre um acorde e outro? A coisa toda era bem cifrada (prato cheio para os procuradores de pelo em ovo de plantão, apoiados em teorias de mensagens subliminares). Só fui entender o trocadilho das notas musicais há pouco tempo. Vê se você pega também. "Lá sol fá mi ré "Sol fá para a lição acabar"? Arrã. Não é de espantar que as lições deram em casamento. Sim, se você não lembra, o mestre e a discípula se casavam no final. Vai ver era para evitar a fadiga com os moralistas de plantão... |
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