terça-feira, 24 de junho de 2003

Meu quarto, meu mundo

Estou prestes a sair da casa da minha mãe. E quando eu contei a boa nova ao pessoal daqui, esperava uma pequena cena repleta de lagriminhas de alegria - e algumas de saudade adiantada também. Mas não aconteceu: na verdade, meu momento mágico virou uma pequena disputa pelo... meu quarto.

A felizarda que receberá esse cantinho amarelo e roxo, com TV e DVD e som e um computador que não funciona, o Frank (é o nome do meu computador), é a minha irmã. Isso já estava decidido e prometido faz tempo, uma vez que a pobre tem de dividir o espaço ao lado com meu irmão. Dois adolescentes dividindo os mesmos poucos metros quadrados, xi, não dá.

Sei muito bem o que é não ter um quarto individual. Quando eu era a adolescente, tinha de rachar o mesmo teto com meus DOIS irmãos, quando eles eram criancinhas. Então, ao soar as 7 badaladas noturnas do relógio, tinha que parar tudo o que estava fazendo, apagar a luz e me retirar do recinto porque era hora da caminha (ou bercinho). Fora que eles falavam dormindo e acordavam de madrugada. Nossa, como era ruim.

Daí, quando me mudei para esse apartamento no qual me encontro hoje - por pouco tempo agora! - finalmente recebi a coisa que mais queria na vida: um quarto só meu. Eu mesma pintei as paredes das cores que eu mesma quis, coloquei as tralhas e os livros que bem entendi e, quando me dá faniquito de mudar qualquer coisa, posso fazer sem precisar pedir permissão, nem que seja às 3 horas da manhã.

Só que ele ficou tão arrumadinho e equipado que virou a sala de estar da família. Sempre tem gente por aqui, todos apinhados em cima da cama (que já está afundando). E quando finalmente vou dormir, os gatos começam a chegar. Um por um, eles pulam em mim e vão encontrando um lugarzinho para a soneca, e eu fico sem poder me mexer direito. Fora que o Juju, meu gato número 3, gosta de ocupar o travesseiro e consegue, de pouquinho em pouquinho, me expulsar completamente. Folgado.

Vou sentir falta dessas noites mal-dormidas no quarto só meu. Mas mal posso esperar pelo próximo, ainda que dividido - mas com alguém muito especial.

Vivi Griswold às 08:59 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold