segunda-feira, 23 de junho de 2003

Ele não é o Messias

Que filme poderia ser lançado na Suécia com uma campanha de marketing baseada no slogan "Um filme tão engraçado que foi banido na Noruega!"? Que filme poderia ter seis malucos interpretando cerca de 40 personagens? E que filme poderia ter feito o ex-beatle George Harrison criar uma produtora só para bancá-lo, pois achava que essa seria sua única chance de ver outra produção da insana trupe que assinou o projeto?

A resposta para todas as perguntas acima, caro leitor (ou leitora), é uma só: “A Vida de Brian”, filme de 1979 assinado pelos nossos escancarados ídolos do grupo inglês de comédia Monty Python.

Todo mundo sabe que queremos ser iguais a eles quando a gente crescer. Graham Chapman (que Brian o tenha), John Cleese, Terry Gilliam, Terry Jones, Eric Idle e Michael Palin ainda são, na nossa modesta opinião, os reis da comédia.

A história gira em torno de Brian, um judeu que nasce na mesma noite que Jesus, na manjedoura vizinha. Depois do acontecimento fatídico, o pobre passa a vida tentando convencer as pessoas de que ele não é o Messias. Além disso, ele tem de lidar com Mandy, sua típica mãe judia, e com um grupo de revolucionários que querem libertação do domínio romano, mas que não são lá muito inteligentes.

Hilário é pouco para descrever a experiência de assistir ao pouco mais de hora e meia dessa velha fita. O bom é que o filme é tão velho que, pelo menos na minha locadora, saiu de graça quando peguei outras três produções.

Depois de unir o útil ao agradável, foi só recostar no sofá com um lencinho do lado (para secar as lágrimas de tanto rir), apertar o velho Play e curtir, assistindo a pérolas como essas:

Rei Mago: Nós fomos trazidos por um estrela, senhora.
Mandy: Trazidos por uma garrafa, você quer dizer.
A impagável Mandy duvida da sobriedade dos Reis Magos que batem, por engano, à porta de sua manjedoura.

Brian: Mãe, meu nariz é muito grande?
Mandy: Pare de pensar em sexo!
Mandy mostra sua verdadeira essência de mãe judia a seu filho cheio de dúvidas.

Reg (líder do grupo que quer libertar a Judéia do domínio romano): Para se juntar à Frente do Povo da Judéia, você tem de realmente odiar os romanos.
Brian: Eu odeio!
Reg: Ah, é? E quanto você odeia os romanos?
Brian: Ah, muito.
Reg: Ok, pode entrar.
Assim é fácil entrar em qualquer grupo radical, não?

Brian: Vocês são todos indivíduos!
Multidão: Nós somos todos indivíduos!
Homem na multidão: Er... eu não.
Brian tenta convencer uma massa de seguidores que cada um deve cuidar de sua vida, mas parece que alguém ali não tem uma vida própria.

Profeta: Haverão, nesses tempos, rumores de coisas que somem, e deverá haver uma grande confusão sobre onde os objetos realmente foram parar, e ninguém saberá de fato onde aquelas pequenas coisas com uma espécie de base trabalhada em ráfia e com uma haste estão. Nesses tempos, um amigo perderá o martelo de outro, e os jovens não saberão que fim levaram as coisas de seus pais, que seus pais deixaram ali logo na noite anterior, lá pelas oito.
É ou não é a versão do apocalipse mais sem pé nem cabeça que já se ouviu? Que quatro cavaleiros ou gafanhotos de sete cabeças, que nada!

Em tempo: o lançamento de "A Vida de Brian" em DVD está previsto para a metade final desse ano. A gente se vê na fila da pré-venda...

Clara McFly às 06:00 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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