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Rainha da lantejoula Certa vez, quando eu estava na segunda série do primário, minha mãe foi na reunião de pais e mestres da escola. Ao perguntar para a professora sobre o meu desempenho naquele ano letivo, ouviu a resposta: "a Vivi é uma ótima aluna, mas os trabalhos dela são até pesados de tanto que ela cola lantejoula". Fazer o quê se era caprichosa? E fazer o quê se meu capricho era, digamos, um tantinho além da conta? Para mim, em meus tenros anos de escolinha (no diminutivo mesmo), não bastava ser CDF: tinha que impressionar. Eu era daquelas que se não recebesse um elogio em cada desenho que fazia, ficava emburrada - e se o elogio viesse acompanhada da tão esperada e reluzente estrelinha, que a professora recortava em papel laminado dourado e colava nos melhores trabalhos... ah, a felicidade. Assim, usava e abusava dos recursos que eu tinha ao alcance de minhas mãozinhas. A caixa de lápis de cor de 36 unidades da Faber-Castel (aquela com duas gavetas) era minha maior companheira. Meus desenhos eram calculados de forma que todas as cores pudessem entrar. Tá, não eram CALCULADOS, mas eu enfiava todos os tons assim mesmo - principalmente o verde-água e o pink, meus favoritos da caixona. Para complementar, mais recursos eram necessários. Algumas moedas da minha mesada tinham destino certo: o bazar da esquina, um templo cheio de papel de carta, borrachas coloridas e com formatos distintos (e aquela que vinha anexada em uma escovinha, para limpar as migalhas que ficavam no papel), lapiseiras e canetas perfumadas, além de muitos vidrinhos de lantejoulas e purpurina. Tinha coisa mais legal do que pegar um tubo de cola branca, escrever seu nome com o bico e dar pitadas de purpurina em cima para as letras aparecerem em grande estilo? Então. Lembro-me ainda da febre da caneta de 100 cores. O mecanismo era como a Bic de 4 opções, aquela metade azul, metade branca - mas menina que tinha essa versão enxuta era considerada loser. O que ligava era ter aquela em forma de foguete (que até parava em pé na carteira), tão grossa que mal conseguia segurar. E para fazer render, escrevia cada palavra da redação com uma cor diferente. Depois, era só fazer a canetona caber dentro do estojo de melancia (ela ficava meio em diagonal), guardar a borracha em forma de sanduíche e a lapiseira com um pingente da My Melody, enfiar tudo na mochila Risca cor-de-rosa, fechar o zíper com o chaveiro de pé-de-pato e ir para casa feliz da vida - no banco traseiro do carro. Vivi Griswold às 10:26 AM |
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