terça-feira, 17 de junho de 2003

Cresce a família Chewbacca

Eu já falei aqui da Defesa Chewbacca, excelente argumentação usada pelo Johnnie Cochran para ganhar a causa do Chef no "South Park", certa mão em que o pobre cozinheiro da escola foi processado pela gravadora da Alanis Morissette (?!).

O essencial da Defesa Chewbacca é que ela não tem pé nem cabeça. No texto linkado aí em cima, você pode ver que existem também os versos Chewbacca, trechos de músicas que não dizem a que vieram.

Foi só pensar um pouco mais a respeito do vasto cancioneiro popular brasileiro para perceber que a família Chewbacca, cuja especialidade é não juntar trá com lá, é ainda maior: existem os títulos Chewbacca, aquelas pérolas que não têm nada a ver com a música que intitulam ou nem sequer aparecem no decorrer da canção!

Preparado? Então, acenda o charuto para celebrar a chegada de um novo membro ao clã dos peludos e cheque a lista abaixo.

5. Núcleo-Base, do Ira!
"Meu amor, eu sinto muito, muito, muito, mas vou indo". E por aí vai. Pode seguir até o fim, que não rola nada de núcleo-base na história do menino que quer lutar, mas não com essa farda.

4. Teatro dos Vampiros, do Legião Urbana
"Sempre precisei de um pouco de atenção…" Segundo Antonio Banderas em "Entrevista com o Vampiro", o teatro dos vampiros é uma companhia de sanguessugas que fingem não ser vampiros fingindo ser vampiros. Pegou? Nem assim dá para entender o que a letra do Legião tem a ver com os draculinhas.

3. Vapor Barato, vários intérpretes
"Sim, eu estou tão cansado, mas não para dizer que não acredito mais em você". Tem versão da Gal e do Rappa. Mas em nenhuma dá para entender porque raios esse é o nome da música. Aceito explicações.

2. A Sombra da Maldade, do Cidade Negra
"Eu sei que ela nunca mais apareceu na minha vida, minha mente novamente." Além de aguentar os trocadilhos infames pontuados pela terminação -mente, ainda por cima não dá para decifrar a que esse título veio.

1. Pintura Íntima, do Kid Abelha
"Vem, amor, que a hora é essa…" Aposto como tem gente que nem sabia que esse era o nome do clássico "fazer amor de madrugada". E, afinal, o que diabos é uma pintura íntima?


Com toda essa coerência entre títulos e versos, é melhor mesmo fazer como o Bruno, meu primo fofo que aos quatro anos, incapaz de alcançar o tocador de CDs, era fã dos Titãs e puxava a barra da minha saia para pedir:
-- Coloca aquela música do "chorei-meu-pai-disse-boa-sorte?"

Ele é que sabe das coisas…

Clara McFly às 08:20 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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