terça-feira, 17 de junho de 2003

Lágrimas de crocodilo

Sei que devo ser uma das 10 pessoas em todo o mundo que são telespectadoras assíduas desse programa... hã... diferente. É verdade que já tentei lutar contra o vício, tentei mudar de canal, desligar a TV para ler um livro ou bater um bolinho de fubá. Não adiantou: simplesmente adoro aquela besteira chamada "O Diário do Caçador de Crocodilos". Será que você ainda vai gostar de mim após mais esta revelação degradante?

Tinha um pé atrás com esse tal Steve Irwin, o apresentador australiano com um monte de parafusos faltando na cachola. Achava que era apenas um maluco que saía pelos pântanos abraçando crocodilos e levando picada de cobras - tá, é isso que ele é, mas tal fato o levou ao estrelato e a um episódio do desenho "South Park". Então, depois que assinei o pacote que incluía o canal Animal Planet, a curiosidade bateu. De lá pra cá, toda segunda-feira é religiosa.

Para quem não conhece essa pérola televisiva, vou explicar brevemente. Steve é diretor do zoológico da Austrália e, aparentemente, mora lá com sua mulher, Terri, e mais um punhado de gente que cuida de todos os animais do recinto. O programa mostra o dia-a-dia nos bastidores do parque gigantesco em uma espécie de "reality-show" do mundo selvagem.

Mas ao contrário do "Big Brother" e afins, esse tem muito mais emoção. Onde mais veríamos Steve subindo numa árvore para resgatar um coala doente? Ou libertando um bebê canguru que ficou preso na cerca de arame? Ou dando banho em uma sucuri gigantesca? E tudo isso com um sotaque impagável (que por si só já garante a diversão) e uma narrativa à lá "Os Vídeos Mais Incríveis do Mundo". Demais! Quando menos se espera, estamos envolvidos na torcida pelo acasalamento de dois ratos do banhado!

O melhor episódio de todos foi quando Steve e Terri tiveram um bebê. O maluco foi para o hospital apressado, viu o parto, se emocionou como qualquer pai. Mas assim que pisou no zoológico com a criancinha (chamada Bindi, não é uma delícia de nome?) ele deixou TODOS os cachorros do lugar se aproximarem e a lamberem no rosto! Até hoje não acredito. E agora ele carrega a Bindi onde quer que vá, seja para libertar tartaruguinhas no mar ou para caçar jacaré no escuro.

Fora que eu já me peguei soltando umas lagriminhas - quem me conhece sabe que sou manteiga derretida mesmo, e quando tem bichinho no meio, já viu. Confesso que me compadeci com Steve quando a crocodilo (?) Mary morreu. Ele a enterrou num jardim do zoológico e, em prantos, fez um discurso digno para uma matriarca de 100 anos. Pena que não anotei os dizeres profundos. Garanto que foi bonito, viu?

Por baixo daquela surrada camisa cáqui, também bate um coração.

croc.gif
Craaaaazy white man!
Vivi Griswold às 08:44 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
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