Ela tinha teto, tinha chão e tinha parede, mas marcou nossa infância como poucas. Ali era nosso território, ali podíamos aprontar até e não levar bronca. Ali fiz guerra de tomate, brinquei de represa, tomei banho de chuva no balanço e arrumei uma fogueira de jornal. Onde mais poderia me divertir assim, senão na casa da minha avó?
"Casa da avó" é praticamente um termo, e todo mundo o reconhece. Apesar de histórias, endereços e cores diferentes, a essência daquela residência quase mística é sempre a mesma. Duvida? Então dê uma olhada nesse ranking que fiz das minhas melhores lembranças da época em que minha mãe me deixava por lá para ir trabalhar - e mal sabia como eu gostava daquilo.
10) O baú de brinquedos
Costumava mandar para a casa da avó brinquedos que já não tinham muita graça na minha. Porém, como num passe de mágica, quando as bonecas descabeladas e as panelinhas sem tampa chegavam ali, algo acontecia e elas voltavam a ser divertidas pra caramba.
9) A estante de livros
A estante era quase uma entidade. Nunca mais vi tanta enciclopédia num único espaço físico. Adorava pegar um volume, colocar no piso e ficar entretida por horas. A favorita era "Os Bichos", uma coleção cheia de figuras que começou a desfolhar de tanto que eu tirava e colocava no lugar.
8) A garagem
A garagem era um lugar sujo, escuro e cheio de ferramentas perigosíssimas para um par de mãozinhas curiosas. Precisa dizer que eu ADORAVA ficar na área? Fora que meu avô é mestre de invenções, então era só pegar um banquinho e prestar atenção que a diversão já estava garantida.
7) A rede
"A rede" vem lado-a-lado com "O quintal", porque um não viveria sem o outro. E se o quintal da avó era imenso, a rede era quase o barco viking do Playcenter - e não precisavávamos pegar fila, podíamos permanecer lá quanto quisessémos e ainda vinham nos servir suquinho de tempos em tempos.
6) O crochê
Minha avó é expert em crochê e, portanto, sua casa é repleta de toalhinhas por todos os lados. E não falo aqui apenas em cima das mesas não. A coisa vai mais fundo e ainda existe crochê vestindo o liquidificador e o botijão de gás, debaixo do telefone e sobre a TV. E por falar nela...
5) A TV
Não faz mal que o controle remoto é coberto por um plástico "para não engordurar". A TV da casa da avó é sempre a TV da casa da avó. Isso significa que podíamos ficar assistindo sem parar (mas não muito perto para não cansar a vista) e ainda era permitido almoçar na frente dela! Ê beleza.
4) A decoração
Já citei o crochê para onde quer que você olhe. Mas a casa ainda guarda outras precisosidades. Tem um Buda virado de costas para a porta "da rua" para atrair sorte; tem a escultura de barro do velho fumando cachimbo; tem garrafinha com desenho de areia colorida; tem árvore de pedras brasileiras...
3) O piso
O piso é um clássico, e pouca gente repara. No piso da minha avó há um mosaico de peças grandes e desbicadas, sem formar desenho algum e de cores sortidas. Lembrou? Tem uma residência aqui perto que exibe esse estilo, e eu aposto um saco de jujubas que aquilo é a casa de uma avó.
2) A comilança
Onde mais poderíamos beliscar um saco de bolacha Mirabel logo antes do almoço? Ou nos encharcar de óleo à tarde comendo Fritopã? Ou nos embebedar de Biotônico Fontoura? Comida na casa da avó é assim: de comida tem pouco, mas de quantidade e sabor de contravenção, tem muito!
1) A horta
Essa é a parte que eu mais gosto da casa da minha avó até hoje. É uma horta enorme e arrumadinha. Tinha briga todas as tardes para ver quem ia regá-la - ainda mais que era com mangueira, e não com aqueles regadores mixos. E as joaninhas então? Por que era só lá que elas existiam?
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Obrigadinha a todos pelas mensagens de apoio à coluna na revista Época. Ainda precisamos de um beliscão para acreditarmos! Ah, muitos perguntam pelo futuro do site: não se preocupem, o Garotas em sua versão online - e original - segue firme e forte, e logo trará mais surpresas! Uáháháhá!