sexta-feira, 13 de junho de 2003

Verduras, desenhos de baixo calão e dinheiro sujo

Como bem observou Flá Wonka, o cinema nacional pode dar uns tropicos, mas segue muito bem, obrigada.

Nossa geração assistiu a virada da produção cinematográfica brasileira dos filmes que sempre preenchiam alguma faixa de programação erótica da TV (tipo a finada “Sala Especial”) para películas indicadas nos melhores festivais internacionais (e eu não me refiro ao Oscar, mas sim ao Festival de Berlim).

Nessa era do chamado "renascimento" da sétima arte por aqui, convém não esquecer do passado, quando algumas produções nacionais não contavam com muita grana -- tampouco com um texto muito bom -- para manter a indústria do cine em funcionamento.

E é com orgulho que eu, moradora da cidade que abriga a outrora chamada Hollywood Brasileira (não sacou? É a Vera Cruz, pô! Eu moro em São Bernardo), apresento as mais fantásticas, bizarras e sujas frases dos filmes nacionais, pré-“Carlota Joaquina”.

Direto do planalto de Piratininga...

5. – Só toca em mim casando! Só casando! - Darlene Glória para Paulo Porto, em “Toda Nudez Será Castigada”.
Nélson Rodrigues é um gênero à parte no cinema brazuca. Aqui, nem precisou dizer palavrão para notar a conotação reaça e cheia de (falsos) pudores da frase.

4. – Eu quero uma comissão nesse cabaço! - origem desconhecida.
Essa foi uma dica do Guss De Lucca, que não soube dizer qual era o filme em questão. Mas achei tão boa que decidi enquadrá-la assim mesmo. Aceito colaborações sobre o autor do dito.

3. – Pega esse dinheiro “sucho” e enfia no “rapo” - Betty Faria em “Lili Carabina”
O mais engraçado a respeito dessa polida frase é o sotaque e a pronúncia da Betty Faria, meio nasal. Pelo jeito, a moça não era flor que se cheire no filme de onde saiu essa pérola.

2. Quem desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro? - Lima Duarte, em “Os Sete Gatinhos”
É baseado em Nelson Rodrigues? Então, pode tirar as crianças da sala. Se quiser, saia também. A frase acima não só é hilariantemente insólita, como também é realçada pela pronúncia do Lima. O quê? Você nunca assistiu? Corre na locadora. Esse e outros drops de sabedoria são encontrados na fita.

1. – Somos só eu, você e os hortifrutigranjeiros - Cláudio Cavalcanti em “Contos Eróticos”
Essa não é a frase de um funcionário de supermercado que se vê preso no local com a mulher de seus sonhos, e tenta convencê-la a fazer alguma coisa de baixo calão. É muito pior. Essa é a proposta de um cara que, digamos, curtia comer uma melancia, mas não do jeito que todo mundo come. E tentava convencer uma amiga de que o lance era mesmo bacana. Na cena final, os dois iam à feira e enchiam a cestinha de abóboras, melancias e melões (para ele) e pepinos, cenouras e chuchus (para ela). Surreal.


Última chamada para o Jaguaré!

Eu sei que minhas amiguinhas já disseram, mas eu gosto de fazer backing vocal: quem quiser nos ver em versão impressa, corra até a banca neste domingo ou cale-se para sempre.

As Garotas Que Dizem Ni ganharam uma coluna na Época. Lá tem mais delírios e bobagens destas que vos escrevem, além de, pasmem!, uma foto nossa. Mas é só dessa vez que a gente vai revelar nossa identidade secreta, hein! Só acredita vendo? Então dá uma chegada no jornaleiro amanhã!

Clara McFly às 06:21 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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