quarta-feira, 11 de junho de 2003

Lá vem o Silvio lá, lá lá lá lá lá lá!

Sua vó gosta tanto do Patrão Silvio Santos quanto de fazer bainha de crochê em pano de prato e de socar comida na sua goela? A minha também. E por um bom tempo essa senhora adorável me contaminou com o vício pelo Homem do Baú.

Foi na época em que o Seu Silvião entrava no ar às 10h00 da matina de domingo e só deixava a tela do SBT às 22h00, quando então começava a transmissão de "Alligator". Ou de "A Escolha de Sofia". Ou "A Coisa". Enfim.

Se dependesse de mim, começaria o dia assistindo o inventor do carnê mais difundido do Brasil dar prêmios na prova do foguete (a do "sim" ou "não" berrado no microfone, sabe?), depois veria a competição de dança que dava tênis Montreal à garotada, já embalaria no Qual é a Música? e terminariam vendo o Show de Calouros com flashes do The Gong Show.

O problema: minha mãe não tolera (nem nunca tolerou) a voz do Silvio Santos. Acho que a risada forçada do homem está para minha progenitora como aqueles apitos ultrasônicos estão para os cachorros. E que boa audição...

Eu ligava a tv na sala bem baixinho pra ver se o sujeito da peruca acaju ia tirar cobrinha ou florzinha da lata no Domingo no Parque e a criança ia ganhar ou não a bicicleta Monark, mas ela ouvia da cozinha, mandando eu mudar de canal no ato!

Aí é que entrava a minha vó. Na casa dela eu podia ver o Tio Silvio sem galho, mesmo na hora da depressiva Porta da Esperança, do estúpido Roletrando ou do Namoro na TV, que contava com aquele tapete célebre mas cafona em formato de coração. Casa de vó é um antro de deseducação ou o quê?

Além de me deixar enfiar o dedo no pote de sal e chupar, de ver televisão deitada no chão de cabeça torta e de subir no muro fino ou no telhado, vovó ainda permitia a plena apreciação de 12 horas ininterruptas de Silvio Santos.

E olha que era o auge do Trio Los Angeles no Qual é a Música? e o corpo de jurados do Show de Calouros era composto por seres do calibre de Flor, Vagner Montes e Sérgio Malandro. Vó não presta mesmo...

Fla Wonka às 01:41 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold