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Saco cheio de vil metal Tenho problemas com dinheiro. Sim, eu até gosto dele - e, como diria Adam Sandler em "Afinado no Amor", eu uso, eu tenho um pouco, eu guardo num pote sobre a geladeira. Mas o fato é que não consigo me apegar a essas notinhas sujas e sem nenhum charme. Sim, é claro que eu tenho necessidades e desejos que só saem do balão imaginário que eu tenho sobre a cabeça por causa da bufunfa (e quem me conhece bem sabe que o balão costuma trazer "viagem, viagem, viagem, cinema, viagem, pizza"). É só por isso, aliás, que eu acordo de manhã e, em vez de tomar o rumo do parque, da banca de jornal ou de Aruba, pego a nada bela Marginal Pinheiros e vou trabalhar. Bom, mas o fato é que tem coisas que eu preciso e quero ter, e pago feliz por elas. Mas outras... Sinto muito, tem coisas que não me fariam sair da cama quentinha nem forçando com um macaco-hidráulico. Não pago nem a pau: por garrafas de bebidas que custem valores de três dígitos ou mais. Não pago nem a pau: por um automóvel que valha o mesmo preço de uma casa. Não pago nem a pau: para um psico qualquer ouvir meus problemas. Não me xinguem, psicos, mas eu não gosto mesmo disso. Não pago nem a pau: por peças de roupa que cobram o que cobram por causa da etiqueta. Não pago nem a pau: por s-e-x-o. Nem nunca vou pagar, mesmo que eu vire uma velhinha rica porém caolha, manca, malvada e solitária. Não pago nem a pau: por aparelhos eletro-eletrônicos de última geração capazes de tocar CDs, fotografar insetos, moer grãos e contar meus glóbulos vermelhos - tudo ao mesmo tempo. Não pago nem a pau: propina de qualquer espécie. |
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