terça-feira, 10 de junho de 2003

É um golfinho fumando cachimbo!

Quem estava habitando o planeta Terra no começo dos anos 90 não teve como escapar dessa mania que tomou conta de todos os recreios, de todas as horas vagas em casa e de todas as festas de família. Nunca um livrinho atraiu tantos olhares interessados e compenetrados. O estranho era que não havia uma palavra sequer - e os desenhos eram assim, digamos, difíceis de se enxergar.

O livro em questão era chamado "Olho Mágico": uma brochura barata que, página após página, exibia imagens psicodélicas e abstratas. Porém, com um pouco de técnica e muita paciência, era possível ver formas que saltavam da página, em 3-D.

A técnica era um tanto constrangedora. Encostava-se o nariz da página e, com os olhos vesgos e fixos em apenas um ponto (sem piscar), afastava-se vagarosamente o livro do rosto. Daí, diziam, os desenhos apareciam: um navio, uma cesta de frutas, um helicóptero, um par de ursos. Nas últimas páginas encontravam-se as respostas de cada charada.

Uma das minhas maiores frustrações é nunca ter visto NADA nesse tal de "Olho Mágico". E não foi por falta de tentativa, viu? Passava horas com aquilo na fuça, vesga, "cansando a vista" como diria a minha avó. O pior era que minha irmã, criancinha, tinha uma facilidade absurda para conseguir visualizar as imagens. E ela nem fazia a técnica, só olhava para as páginas e dizia "é um golfinho!". Ah, que raiva. Aposto que era mentira (e eu não tinha como comprovar, droga).

Minha desculpa era a mesma: "isso é ilusão de ótica, e é difícil enganar meus olhos". Será que alguém comprou a balela? Acho que não, humpf.

Cadê o Waldo?

Disputando com o "Olho Mágico" a atenção e os olhares nas prateleiras das livrarias brilhava outra mania, o livrinho "Onde Está o Wally?". Wally - ou Waldo, na versão original em inglês - era um turista que estava em todas as ocasiões (uma versão em desenho do Tourist Guy da época do 11 de setembro) e o objetivo da brincadeira era apenas uma: encontrá-lo.

Cada página mostrava uma situação repleta de pequenos detalhes e cada vez mais cheia de gente. Na medida em que o livro avançava, mais complexas ficavam as ilustrações, e maior ficava o desafio de apontar o Wally.

No final do livro tinha um texto que dizia que o turista foi perdendo objetos pelo caminho, então tínhamos de recomeçar e procurar por uma câmera fotográfica, um cachecol, um par de óculos. Ê diversão!

Meu "Onde Está o Wally" ainda ocupa um lugarzinho na estante aqui de casa. Já o "Olho Mágico", em suas duas versões (não disse que eu tentei?) foi dado no aniversário de algum amiguinho dos meus irmãos. Aquilo não tinha para mim nenhuma utilidade mesmo...

olho.gif
Consegue adivinhar? Escreva para a gente!
Vivi Griswold às 09:32 AM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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