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É um golfinho fumando cachimbo! Quem estava habitando o planeta Terra no começo dos anos 90 não teve como escapar dessa mania que tomou conta de todos os recreios, de todas as horas vagas em casa e de todas as festas de família. Nunca um livrinho atraiu tantos olhares interessados e compenetrados. O estranho era que não havia uma palavra sequer - e os desenhos eram assim, digamos, difíceis de se enxergar. O livro em questão era chamado "Olho Mágico": uma brochura barata que, página após página, exibia imagens psicodélicas e abstratas. Porém, com um pouco de técnica e muita paciência, era possível ver formas que saltavam da página, em 3-D. A técnica era um tanto constrangedora. Encostava-se o nariz da página e, com os olhos vesgos e fixos em apenas um ponto (sem piscar), afastava-se vagarosamente o livro do rosto. Daí, diziam, os desenhos apareciam: um navio, uma cesta de frutas, um helicóptero, um par de ursos. Nas últimas páginas encontravam-se as respostas de cada charada. Uma das minhas maiores frustrações é nunca ter visto NADA nesse tal de "Olho Mágico". E não foi por falta de tentativa, viu? Passava horas com aquilo na fuça, vesga, "cansando a vista" como diria a minha avó. O pior era que minha irmã, criancinha, tinha uma facilidade absurda para conseguir visualizar as imagens. E ela nem fazia a técnica, só olhava para as páginas e dizia "é um golfinho!". Ah, que raiva. Aposto que era mentira (e eu não tinha como comprovar, droga). Minha desculpa era a mesma: "isso é ilusão de ótica, e é difícil enganar meus olhos". Será que alguém comprou a balela? Acho que não, humpf. Cadê o Waldo? Disputando com o "Olho Mágico" a atenção e os olhares nas prateleiras das livrarias brilhava outra mania, o livrinho "Onde Está o Wally?". Wally - ou Waldo, na versão original em inglês - era um turista que estava em todas as ocasiões (uma versão em desenho do Tourist Guy da época do 11 de setembro) e o objetivo da brincadeira era apenas uma: encontrá-lo. Cada página mostrava uma situação repleta de pequenos detalhes e cada vez mais cheia de gente. Na medida em que o livro avançava, mais complexas ficavam as ilustrações, e maior ficava o desafio de apontar o Wally. No final do livro tinha um texto que dizia que o turista foi perdendo objetos pelo caminho, então tínhamos de recomeçar e procurar por uma câmera fotográfica, um cachecol, um par de óculos. Ê diversão! ![]() Consegue adivinhar? Escreva para a gente! |
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