segunda-feira, 9 de junho de 2003

Três teorias

Eu tenho três teorias que não têm absolutamente nada a ver entre si, mas são muito bem fundamentadinhas na realidade.

A primeira é: OJ Simpson devia pagar uma mesada de, pelo menos, 100 mil dólares a Rodney King, o caminhoneiro espancado por policiais no episódio que iniciou as balbúrdias raciais em Los Angeles. A cifra poderia até aumentar, caso Rodney conseguisse Johnnie Cochrane como advogado.

Depois de assistir ao "E! True Hollywood Story: Ron, Nicole e OJ – Countdown to Murder" (que título, hein?!), ficou claro para mim que o astro do futebol americano só saiu livre dessa por causa das riots em L.A. Sua condenação poderia desencadear uma onda de fúria que transformaria a cidade dos anjos naquele cenário visto em "Fuga de Los Angeles". E olha que minha ficha demorou a cair!

Mas vamos em frente. A segunda pode ser enunciada de maneira muito simples, e é comprovada por qualquer alma que tenha um mínimo conhecimento de História Contemporânea: se você quer ficar viúva logo, case-se com um Kennedy. Precisa dizer mais? Acho que não.

A terceira é mais pessoal e parece um pouco mais insana, mas quem leu até agora vai segurar até o final e perceberá a verdade das palavras a seguir: os motoboys são os sacis da vida moderna.

Já explico. Eles surgem do nada, em redemoinhos de poeira, nos corredores de asfalto entre um carro e outro. Somem da mesma maneira que aparecem. E, como entidades que são, ficam contentes com oferendas (do tipo dar espaço a eles no aperto do tráfego) e te ajudam se você for um dos que oferecem esse mimos.

Já se você fecha um deles, meu filho, é nessa hora que a idéia de ter um carro blindado não parece tão elitista. É capacetada para todo lado da lataria e xingamentos de fazer corar até a tia Dercy.

Aconteceu comigo

Quando eu bati o intrépido Deep Purple (para quem não sabe, meu Corsa roxo) na traseira de um Monza na avenida Paulista, distraída que estava com o saquinho de Club Social que me servia de café da manhã a caminho do trabalho, os motoboys apareceram às pencas para me ajudar, logo depois que a Polícia Florestal (não me pergunte, também achei estranho) chegou e desviou o tráfego.

Eles foram muito bacanas, já que sou uma das motoristas que se enquadram na categoria temente-aos-motoboys-e-adeptas-das-oferendas. Subiram no porta-malas do carro da frente e ficaram pulando para desengatar o Deep, que havia encaixado no engate do Monza.

No fim, apareceu um guincheiro com um macaco realmente gigante, que ergueu meu pobre carro mil e libertou-o da cena constrangedora.

Quando me virei para agradecer os motoboys, puf! Eles já haviam sumido numa nuvem de pó.

Até tentei dar um nó num matinho (receita folclórica para pegar um saci), na tentativa de reencontrar um deles para dizer "obrigada".

Mas não deu certo. Talvez a receita adaptada deva ser realizada com um cabo de motor, as mangas de uma jaqueta com aqueles "X" verde-fosforescente ou coisa do tipo.

E é por isso que eu sou defensora desses misteriosos trabalhadores sobre rodas, que estão sempre dispostos a ajudar seus fiéis (ainda mais os que usam saias) no trânsito.

Clara McFly às 07:55 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



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