segunda-feira, 9 de junho de 2003

Aaaaaaaleluia!

Nada de chão de terra rachada? Nada de cortiços com goteira por todo lado? Não sei, não, mas desconfio que quem passou recentemente pelo cinema e viu o trailler de "O Homem que Copiava" deve ter pensado como eu: não vai ter aparição de nenhuma cabeça de vaca morta? Nenhuma tomada em presídio? Nem em favela? E é comédia? Uau!

Bom, parece que é tudo isso, sim. O roteiro e a direção da fita que estréia na próxima sexta são de Jorge Furtado, que escreveu alguns episódios de "Os Normais" e o filme "Caramuru: A Invenção do Brasil".

Pelo que entendi, simplificando, a história fala de um rapaz que vive em Porto Alegre (olha só, mudaram até o eixo geográfico!) e por motivo de falta de grana maior decide falsificar algum dinheiro.

Eu assumo que é meio ridículo falar de um filme sem ter visto - a não ser que seja sobre a transposição para o cinema de um herói dos quadrinhos que está mais parecido com um boneco-inflável pintado de verde-césio (tô com duas pulgas-monstras-saltadoras atrás da orelha pensando no que fizeram com o Hulk... e morrendo de medo de detestar).

Mas voltando a "O Homem que Copiava". Eu não vi mas já apreciei só pela mudança de atitude. Nada contra filmes bonitos como "Central do Brasil", "Abril Despedaçado" ou "Cidade de Deus", muito pelo contrário. São três ótimas produções dignas de todo nosso respeito. Mas é que elas acabaram tendo um efeito reverso no renascimento do cinema brasileiro.

De repente, parece que 90% dos diretores brazucas acharam que tirariam sua lasquinha do sucesso apostando nas mesmas tríades: ou Nordeste-pobreza-coragem, ou Periferia-bandidagem-tóxico. E começou a ficar meio chato ver sempre o país ser retratado por dois pontos de vista apenas.

Mas daí apareceu esse filme, e acho que alguma coisa pode começar a ficar bem bacana para nós. Mesmo que as goteiras não sumam de todo, mesmo que a terra rachadinha continue servindo de fundo de tela, roteiros mais criativos "made in aqui mesmo" podem salvar um fim de semana.


Chutei no ângulo! Acho...

Num texto passado sobre filmes com música, sugeri que "A Festa Nunca Termina" seria um filmão, apesar de não ter visto (tá virando um hábito ruim, eu sei, vou parar). Bom, a verdade é que é mesmo.

Só para confirmar, a história é excelente e a edição é dez vezes melhor. Não acho nem que é preciso ser fã das bandas citadas ali - Joy Division, New Order e Happy Mondays, principalmente - para gostar. Mas quem tem alguma relação maior com a época vai sair sorrindo como eu.

Assim, agora com conhecimento de causa e a presunção de sempre, eu recomendo. Bom, quem não tiver a mesma opinião pode escrever xingando. Mas pega leve, que eu sou menina e me magôo.

Fla Wonka às 02:06 PM

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No cinema
Pipoca, telona, escurinho e
celular tocando em hora errada.
No dia-a-dia
Fatos bizarros, comentários
inúteis e notas estranhas.
Na estante
Páginas, ilustrações, escritores
e traças, muitas traças.
No passado
Brinquedos, escola, casa
da avó e saudades disso tudo.
No som
Verso, vinil, vitrola, voz
e gente boa ou ruim de rima.
Na TV
Bombril na ponta da antena
e o milagre que vem pelo cabo.



· Clara McFly
· Flá Wonka
· Vivi Griswold