|
||||||||||
|
||||||||||
Uma garota chamada Molly Aposto que você conhece a Molly. Ela é aquela garota tímida da colégio, muito inteligente e nem um pouco popular. Porém, está sempre pronta para ajudar e escutar os amigos (outros não-populares). No fundo ela se sente feia e desajeitada, e sofre por acreditar que nunca vai conquistar o coração do menino mais bonito da escola, por quem é secretamente apaixonada desde a segunda série. Isso soa familiar, não? É, parece que existe muita Molly no mundo. Eu me enquadrava perfeitamente na descrição, e conheço muita gente que também sentia a mesma coisa. Para a nossa sorte tínhamos a verdadeira Molly, que mostrava que tudo passa, que o final é sempre feliz, que aquele garoto não era completamente inatingível (ou que ele não valia tanto a pena assim). Molly foi nossa heroína, e os anos 80 foram só dela. A princesinha das comédias românticas de duas décadas atrás era uma garota chamada Molly Ringwald, mas podia ser eu ou você. O charme da atriz ruiva era exatamente ser uma adolescente como outra qualquer, e todos os papéis que fazia enfatizava seu lado "the girl next door" - e ela se dava bem só porque era fofa demais. Meu filme favorito da Molly é "A Garota de Rosa Shocking", escrito por John Hughes, o mago. Andie Walsh é uma menina que mora com o pai num bairro pobre, tem um amigo esquisito e uma amiga punk. Ela passa seus dias entre a loja de discos onde trabalha e a escola, mas só tem cabeça para pensar em Blane McDonnagh (Andrew McCarthy), o bonitinho ricasso que a fazia ficar pálida só com um olhar. O nome da produção vem da cena em que ela reforma o vestido usado por sua mãe para ir ao baile de formatura, porque não tinha dinheiro para comprar um novo. O negócio era horroso, rosa-Barbie, cheio de tule e babado. Depois do conserto, Molly aparece gloriosa, e ainda fica com o garoto, claro! Também temos Molly em alguns dos maiores clássicos da “Sessão da Tarde”, como “Gatinhas e Gatões”, “O Clube dos Cinco” e “A Cegonha Não Pode Esperar”. Esse último título é bem mais fraco que os outros (e não leva a assinatura de Hughes), mas tem a cena sensacional quando ela conta aos pais que está grávida. No meio do jantar, diz “Estou grávida, por favor, me passa as batatas?”. Se hoje meu cabelo (aquele mesmo, curtinho) é da cor das madeixas da Pequena Sereia, a culpa é da Molly. Sim, eu queria ser como ela - e agora sinto que fui um pouco. Bem, quem não foi? ![]() Ainda bem que passa, né, Molly? |
![]() |
|||||||||
![]() |
||||||||||